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WW NO PARAÍSO
SIMPLESMENTE IMPERDIBLE. HOY, QUINTA DOS INFIERNOS, DIA 15 DE MAIO, 21H, ESSA HORA DE MISSA DO SESC, SESC POMPÉIA, WANDER WILDNER LANÇAR O SENSACIONAL DISCO LA CANCION INESPERADA. SP. BORA. BUERA. UNA CELEBRACIÓN DEL ESPANHOL SELVAGEM. LA ULTIMA A LLEGAR ES MUJER DE MI MADRE. BESOSSS
Escrito por xico sá às 17h13
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DA SÉRIE BÁRBAROS X CIVILIZADOS
Curador, eis a função do momento. Ultra-mega-hype, como reza a hipérbole fashionista da estação.
Já repararam que agora existe uma curadoria para qualquer evento, mesmo uma tertúlia de boteco? Todo mundo quer e se orgulha desse ofício. Assim como ser DJ, chef, hayr stylist ou personal-qualquer-coisa nos anos 90, ser curador é o que há nos anos 00.
Tem curador para tudo, remate de todos os males artísticos nacionais.
Do folguedo do boi-bumbá à Bienal; da feira de livros do grêmio lítero-recreativo de Brumadinho aos velhinhos que molham religiosamente o biscoito no chá de catuaba da ABL na era pós-Luana sem calcinha.
No início era o verbo...
Do latim, “curator”, aquele cuja missão é administrar e cuidar da seleção e organização de uma pajelança qualquer. Coisa fina. O primeiro da raça viveu na Roma Antiga e cuidava de atirar plebeus aos leões. No Brasil, vingou nas artes plásticas, com as bienais dos anos 1980. Agora é moda. Lindo. Tem curador até para briga de galo, leilão de zebus, exposição de nelores, feiras de tapetes, chá de caridade...
Os novos célebres
Os cartazes exibem, foguetório da glória, “Curadoria: Fulano de Tal”. Até os lambe-lambes, nos muros da cidade, fazem constar o crédito de luxo do momento. Tudo é curadoria. Os curadores invadem a “Ilha de Caras”, a festa da “Quem”, são reconhecidos na ponte-aérea. Celebrizemos de vez os curadores, indistintamente. Um país sério é feito de curadores, as obras que se danem. Organizador que nada, eu agora sou é da curadoria, seus babaquaras demodês.
Eu curador de mim
Por que não? Pinto, bordo, costuro para fora e faço a minha própria curadoria. Chega de atravessadores –eu sou eu e sou o outro... e sou também qualquer coisa de intermédio, como diz a sábia lírica portuguesa. Eu me escolho, eu me exponho, faço o press-release, eu me critico no meu site [via heterônimos], faço o lobby, eu me vendo, eu me entrego todinho, a vista, a prazo, pré-datado, a domicílio.
Socialismo para milionários
“O que é roubar um banco diante de funda-lo?” Calma velho Brecht, agora o ditado é assim: “O que é fundar um banco diante de ser um curador-banqueiro?” Os nossos generosos milionários se entregaram de vez às belas artes, nunca se viu nada igual desde que o conde Maurício de Nassau trouxe a caravela de artistas ao Pernambuco holandês. Quando ouvir falar em curadoria do gênero, saque logo o seu talão de cheques.
Código do bom-tom
Rápida e necessária regra de civilidade: o grande curador deve entender obrigatoriamente mais de vinho e de alta gastronomia do que de arte em geral. À boa mesa é que ele papa a crítica, o faminto estafeta das repartições culturais e a balzaca-tailleur do marketing da companhia patrocinadora.
Do recurso do método
Os bons curadores são pessoas muito criteriosas e exigentes. Exigem o deles sempre adiantado.
Escrito por xico sá às 11h10
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CÃO DE GUARDA (RELOADED, A PEDIDOS)
“Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”, sopra o velho escritor Alberto Moravia, sempre aqui na cabeceira.
Uma das melhores coisas da vida é observar a pessoa amada que dorme,entregue, para além dos pesadelos diários.
Como bem disse Antônio Maria, o grande cronista que aparece com ciúmes até da própria sombra na vida e no livro da Danuza , um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta.
Experimente você também, sensíiiiiiiivel leitora, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.
Amar é... vê-lo dormindo como um Garfield lesado e alasanhado.
Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.
Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela dorme.
Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.
Dorme, meu anjo.
Ela obedece.
Vigio o sono dela como um soldado zapatista na selva escura.
Como um cão zela o sangue do dono.
Como se fosse um homem-exército e pronto.
Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.
A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.
A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!
O ideal é que você, amiga leitora e sensivi, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.
Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.
Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.
Como é lindo a vigília ao sono dela.
Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.
Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.
Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de mapear a sua beleza.
É a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.
E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios! Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas.
Escrito por xico sá às 13h26
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WONG KAR-WAI UN KARAI
Vilgi p q wong kar-wai foi tão publicitário e medonho no beijo roubado?? So passava trenzinnn esteticamente azuladim, horrivi, jisus... quele povim safadim e mal vestidimcoitadim... aquela boininha verdinha, de uma muiézinha llamada... Cuma era merma o batistério de la ninã, lembra?, aquela coisinha do cinena, ah deus do céu nossa senhora, q pobreza, não-sei-la-o-que-jones, q pobrezzaaaa...
P q foi tão encomenda e tão americano do norte q não o norte do zoim fechado dele merme por quê? Sim, na encomenda a musa entrega correno e se joga por qualquer plata, sabemi, mas carecia fazer aquele filmim tão ruim, assim, mô dios? Fui no cinemim com minha mulherzin e me fudi assi feitim um roçadim de Mogi mirim q num vingô ningun brotin, xá pra la xangrilá, contece, né, jisuscristim?!
Ô mó, peixim daquarim, q fitinha safada a dois conto de réis, quem mandô achar q só o zoim fechado la daquele povim ia dá bom firme, ne?, seno asi prefiro craudesí, lá da nossa disordi merma pernambuquim... hihihihihi
Escrito por xico sá às 03h52
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BENÇA, MÃE*
Mãe, ainda me lembro quando tu colocaste a rede no fundo da mala, mala de couro, forrada com brim cáqui, e perguntaste, tentando sorrir no prumo da estrada: “Filho, será que na capital tem armador nas paredes?”
Naquela noite eu partiria para o Recife, que conhecia apenas de fotos e do mar de histórias trazidos pelos amigos. Lembro de uma penca de fotografias em especial, que ilustrava uma bolsa de plástico que usava para carregar meus livros e cadernos. Lá estavam as pontes do centro, casario da Aurora ao fundo, lá estava a sede da Sudene, símbolo de grandeza naquele apagar dos anos 1970, lá estava o Colosso do Arruda, o estádio do Santa...
Quando o ônibus gemeu as dores da partida, aquela zoada inesquecível que carregamos para todo o sempre, tu me olhaste firme, e eu segurei as lágrimas tão-somente para dizer que já era um homem, que era chegada a hora de ganhar o mundo, o mundo que conhecia somente pelo rádio, meu vício desde pequeno, no rádio em que ouvia os Beatles, as resenhas e as transmissões esportivas das rádios Nacional, além de todo um sortimento de novidades daqui e do estrangeiro.
Lembro que naquele dia, mãe, ouvimos juntos o horóscopo de Omar Cardoso, na rádio Educadora (ou teria sido na Progresso de Juazeiro?). Que falava dos novos rumos do signo de Libra. Você disse: “Tá vendo, meu filho, você será muito feliz bem longe”.
A voz de Omar Cardoso e o seu mantra ecoava no juízo: “Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor!”
Foi o dia mais curto de toda a existência. O almoço chegou correndo, a merenda da tarde passou voando... e quando dei fé estava diante da placa Crato/Recife, Viação Princesa do Agreste.
Todo choro que segurei na tua frente, mãe, foi derramado em todas as léguas seguintes. Mal chegou em Barbalha eu já estava com os dois lenços de pano –outro cuidado seu com o rebento- molhados. Em Missão Velha, uma moça bonita, uma estudante que voltava de férias, me confortou: “É para o seu bem, foi assim também comigo”.
Quando chegou em Salgueiro, além dos lenços e da camisa nova -xadrezinho da marca Guararapes-, o livro Angústia, de Graciliano Ramos, um dos motivos da minha vontade de conhecer a vida, também já estava encharcado.
E assim foi a viagem toda. Com direito a soluços, que acordaram a velhinha que ia ao meu lado, quando o ônibus chegou ao amanhecer no Recife.
Arrastei a mala pelo bairro de São José e procurei a pensão mais econômica.
Sim, mãe, tem armador de rede, escrevi na primeira carta. Naquele tempo não usava-se, em famílias sem muito dinheiro, o telefone. Era tudo na base do “espero que esta te encontre com saúde”, como a gente escrevia na formalidade das missivas.
É mãe, neste teu dia, que está quase chegando a hora, quero lembrar que a coisa que mais me comoveu foi tua coragem, que eu até achava, cá entre nós, que fosse dureza além da conta d´alma. Até falei, um dia no divã, sobre o assunto, como se eu quisesse que naquela despedida o sertão virasse o teu mar de pranto.
Eis que recentemente me contaste como foi duro, que tudo não passava de um jeito para não fazer que eu desistisse de ganhar a rodagem. Aí me lembrei de uma sabedoria que citava nas cartas e bilhetes, quando eu esmorecia um pouco na sobrevivência da cidade grande: “Saudade não bota panela no fogo”. E ainda reforçava: “Saudade não cozinha feijão, coragem, filho, coragem”.
Em nome das mães de todos os meninos e meninas que partiram, dona Maria do Socorro, quero te deixar beijos e flores.
Sim, mãe, agora já sabes que somos de uma família de homens chorões, são 04h06 de uma quarta-feira e eu choro um pouco, como fazia no fundo daquela rede colorida que puseste no fundo da mala, chorava tanto nos sótãos das pensões do Recife que os chinelos amanheciam boiando no quarto, como se quisessem tomar o caminho de volta para casa.
*crônica publicada no final de semana nos jornais O Tempo(BH), Diário de Pernambuco e Diário do Nordeste (Fortaleza). Distribuição agência BrPress. veículos interessados na publicação devem procurar juliana@brpress.com.br
Escrito por xico sá às 18h27
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BENVINDOS AO REINO DA CAREÇOLÂNDIA
Bravas fêmeas expulsas do paraíso por um deus misógino fundaram a Carençolândia, no tempo em que tudo era apenas o fogo e o verbo. Mas foram os machos, porém, que se firmaram, nos dias que correm, como os mais legítimos cidadãos carençolandeses. Cuidado, frágeis!, eles estão perdidos, sejam metrossexuais, übersexuais ou brechossexuais -aqueles que só usam roupas com encosto de brechó. Fracos, não agüentam o tranco das mulheres mais destemidas. Arrotam macheza nos botecos, mas logo que põem as patas em casa, uivam para a lua minguante e sonham com uma chuva de coleiras.
O macho carançolandês não passa meia hora separado, não vive sequer o luto amoroso da resoluta que aplicou-lhe um conga no meio da bunda - a padoca mole e farta que dantes já prescrevia o chute. Ele vai lá e agarra a primeira que passa, nem que seja um manequim de gesso, como ocorreu ao meu amigo Sizenando, aquele mesmo que trabalhava como galhudo-mor nas crônicas de Rubem Braga. Enquanto o manequim era levado de um lado a outro da rua, para uma troca de vitrines, ele abofelou-se com a loira gessificada e a entope de gala até hoje.
Bem-vindos ao reino da Carençolândia, esse golfo inevitável da existência.
Sim, na Carençolândia ninguém vem a passeio e o turismo é proibido. A Carençolândia é uma espécie de Mali, de Níger, de Burkina Fasso, de Guiné Bissau, de Chade... d´alma.
A Carençolândia é o vale do Jequitinhonha metafísico que chia como catarro em nossos pulmões e tórax _diga 33!!!
Carençolândia não tem sequer feriado.Um programa populista e eleitoreiro de saúde pública agora trouxe Prozac, Lexotan, Frontal e zilhões de remédios tarjas pretas para este reino. Os comprimidos foram postos em toda a rede de água de Carençolândia... Adicionados ao sal, ao açúcar... Mesmo assim não houve um sorriso sequer, nem mesmo do gato lisérgico de Alice.
Escrito por xico sá às 02h49
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METADE FUTEBOL, METADE MULHER
"É assim que ela é/ metade futebol, metade mulher" (música do Eddie, banda Olinda Style)
Entre as raras coisas que as mulheres jamais vão entender –completamente- nas nossas pobres almas, destaca-se, como incompreensão-mor, a passionalidade ludopédica.
Sim, nosso amor louco pelo futiba, el fútbol, o esporte sagrado, o mundo lúdico da pelada ou do clássico, se é que vocês me compreendem, bravas amigas.
“Que diabo é isso?”, indagam as nossas amadas. “Parecem crianças!”, detonam as belas crias das nossas costelas.
Agora, então, que os campeonatos estão na melhor hora, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, livrai-nos daquele golzinho contra aos 47 do segundo tempo, livrai-nos de todos os infartos e dores no peito.
Incompreensível para estas criaturas superiores aquela cena clássica: um magote de barbudos no estádio ou na frente da tevê, aos berros, coração batendo mais do que no primeiro encontro amoroso, em pleno êxtase, transe coletivo, vilge!
Elas são capazes de decifrar, mal debutam para a existência, todas as nossas intenções e vacilos. Uma mulher com 17, 18 anos sabe mais dos nossos humildes segredos e de todas as leis do cosmo do que um marmanjo de 35, o meio do caminho das nossas vidas, segundo o homem da Divina Comédia.
A nossa paixão ludopédica é mais incompreensível, para as moças, do que a falta do nosso telefonema no dia seguinte.
Se o amor anda de ladeira abaixo, a cabocla logo pensa: “Ah se ele me dedicasse metade da paixão que devota a esse timeco!”
A devoção a 11 machos em campo é realmente indecifrável para as negas. As mais radicais freudianas até vêem um certo homossexualismo na jogada.
É pouco, vulgar e simplista para compreender a nossa mais besta das felicidades de varejo, como todas as felicidades possíveis.
Não dá para decifrar mesmo o amor pelos Américas da vida, seja o mineiro, que tem o mais belo uniforme do planeta, seja o carioca, ali caindo pelas tabelas, mas sempre o mais simpático clube da humanidade. Sem se falar no extinto América do Recife, pelo qual jogou o poeta João Cabral de Melo Neto, requintado beque.
Para nós é óbvio esse amor maluco. Nem debatemos, de tão incorporado ao nosso mundo Peter Pan e sem juízo.
“O Galo levou cinco do Cruzeiro e ele, idiota, ainda vai ao estádio, em vez de jantar e tomar um vinho comigo, como pode, caro cronista?”, indagava, na noite de terça, numa consultoria amorosa rápida, uma amiga mineira. Ah, meu bem, o futebol é como o amor: depois de um chifre, uma bola nas costas, uma goleada inesperada, aí é que amamos mesmo.
O camarada protesta, faz balbúrdia, chuta a porta, joga o celular na parede, quebra o controle remoto, finge um “assim não dá, chega, não vou mais perder tempo com isso”... E aí é que gama mesmo.
Como o torcedor da Ponte Preta, que seja como for nesse domingo, manterá a paixão eterna.
Os próximos dias, leitora amiga, vai ser difícil para as moças. Tudo bem, o Atlético praticamente perdeu o campeonato estadual, mas devolveu, na Copa do Brasil, pelo menos um peixe vivo à sua torcida, daqueles presentes de bom pai voltando da feira com um peixinho em um saco d´água. Sinto muito pelo Náutico!
O Sport Recife, coisa mais linda, fez a festa em cima do milionário Palmeiras, para a alegria de Azoubel e do menino Rodrigo, seu rebento que herdou a mesma doença.
Os meus cunhados Cléber e Airton estão nervosos, ainda não foi dessa vez para o Icasa de Juazeiro.
As mulheres, aí incluídas minhas irmãs Nágela e Riva, jamais compreenderão tamanho delírio. Mas como dizia Antônia Maria, padrinho espiritual desta coluna, benditas sejam as moças, elas têm sempre razão, mesmo quando estão caladas!
Escrito por xico sá às 15h23
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UMA VIDA DE SEGUNDA OU CRUZANDO O PARAISO, AMIGO SAM SHEPPARD
Ainda na cama, o grupo Morphine toca “buena”, aquela, faço as promessas da semana e os três desejos de segunda.
Saio do escuro e mendigo um naco de sol, bem-aventurados os lagartos que nadam no seco.
Esta semana eu te quero, eis o primeiro e talvez único desejo. Não vale dizer “eu não tenho roupas”, daqui vejo o desespero diante do armário lotado, que venhas só de botas mesmo que serás um presente para todos os vagabundos da noite.
A tira do Laerte antes do horóscopo. Esse cara tá foda, uma fase que nunca acaba. Alguém diz.
Estamos numa fase como as nossas tripas.
Com fome, mas sem saber donde vem o ronco, se da minha pança ou da linda barriguinha dela.
Amo a minha cachorra chapada e bêbada, amigo zero quatro.
Dois bules de café amargo, cream cracker, manteiga Aviação,de lata, duas ou três coisas que nunca saberemos de nós dois sobre todas as outras coisas sem importância.
Os caras morreram, agora nos demos conta, inclusive Antonioni, mas nós estamos apenas de ressaca, amor, essa dengue sartreana da moléstia, calma ai, calma ai, sem desespero, ao lusco-fusco estaremos tinindo de novo.
Nuestros horóscopos para agosto, mas como agosto se agosto, Bárbara Abramo, caiu em julho este ano, tragédia de avião e tudo com cento e tantos mortos?
Ao sair não bata a porta, deixa aberta para que o vento devolva o teu cheiro e eu goze mais uma vez antes que dobres a esquina do Paraíso adonde ganha a vida, à custa da neutralidade suspeita, o velho babaca do teu analista.
[do libreto "Tripa de cadela & outras fábulas bêbadas", breve pela editora Dulcinéia Catadora]
Escrito por xico sá às 21h30
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MACHO. PROCURA-SE
“Se o macho está perdido, amigo, como se apregoa por ai, não sou eu que vou procurá-lo”, diz o escriba Marçal Aquino, em animada mesa da nossa taberna lítero-boêmia em São Paulo, a Mercearia São Pedro.
Claro que o mote do autor de “Faroestes” rendeu e desabou, graças ao abençoado combustível de Salinas, para uma buena onda digna das páginas mais quentes de Pedro Juan Gutiérrez.
É, amigo, nunca foi tão difícil ser homem, melhor, nunca foi tão difícil ser macho, para usar a acepção mais testosteronizada do gênero. Os dilemas são muitos e o meio termo corre sempre o risco de ser mal-compreendido.
Continuar sendo o irredutível macho-jurubeba ou ceder às saudáveis tentações dos metrossexuais?
O ideal, para os novos tempos, diriam os moderados, seria dosar um pouco de macheza à moda antiga com mais cuidado com a aparência, uma guaribada no guarda-roupa, uma cosmética sem exageros...
Nada de ter uma bancada de creminhos maior do que a patroa. Assim não dá, companheiro.
Mas ai não correríamos o risco de perder a personalidade, a pegada?, indagariam os mais tradicionais, aqueles que nunca se permitiram a nada mais do que um punhado de Minâncora ou banha de peixe-boi sobre uma espinha.
Perfume ou cheiro natural de homem?
E tome dilemas.
Há quem não admita nada mais além de um Avanço ou Leite de Rosas. Basta.
Estão vendo como não está sendo fácil ser macho nos tempos modernos?!
E reparem que nem adentramos ainda o misterioso assunto das fêmeas. Preparem-se, ai é que nos perderemos de vez. Você pede em casamento, ela pede uma coca-cola.
A incompreensão nunca foi tão grande. E vice-versa. Mas desde quando soubemos, como perguntava o sábio doutor Sigmund, o que querem as mulheres?
Os justos avanços femininos, no entanto, embaralham como nunca o senso comum –e culturalmente machista- de nós todos.
Puxar ou não a cadeira no restaurante? Abrir ou não a porta do carro? Tomar iniciativa e pagar logo a conta ou esperar que ela divida? Até que ponto seguir o velho código do cavalheirismo vai incomodá-la na sua alardeada independência? (Nesse momento sentimos ainda ao longe o cheiro da efeméride dos sutiãs queimados!)
Na alcova, então, mais um balaio de dúvidas. Ser um hétero sensível ou um lenhador selvagem?
Enfim, como já deu para notar, não tem bula, não tem receita, não há um padrão x a seguir, embora as revistas masculinas insistam em um certo “novo homem”, criatura que já foi representada por David Beckham (da costela dele Deus criou o metrossexual) e mais recentemente pelo George Clooney, denominado übersexual, seja o lá o que diabo isso signifique.
E eu vou ficando por aqui, se não, a continuar com essas dúvidas todas, o velho Francisco Nildemar, lá no Sítio das Cobras, em Santana do Cariri, nunca mais me deixa pedir a “bença, pai”.
Escrito por xico sá às 09h38
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ZOOLOGIA DO AMORRR
Os animais são mais importantes no amor do que supõe a nossa vã filosofia.
Importantíssimos.
Já terminei romances em que fiquei com tanta saudade da ex quanta da sua gata, cachorro e até dos ratos que roeram as nossas vestes do desejo.
Quando ainda morava no sertão ficava morrendo de amor pelos tatus criados em fundo de quintais e tonéis, preás de estimação, tejus, timbus, morrendo de amor pelos macacos, todos batizados chicos, nambus, codornizes e gordas patas que se arrastavam na lama em anos de chuva.
Também já ocorreu de conquistar mulheres, ou pelo menos consolidar boas histórias amorosas, por demonstrar carinho e afeto com os bichanos. Como sair de casa altas horas da madrugada para comprar a ração do felino. E de quebra, trazer um patê especial para o danado.
Sim, o amor passa pelos bichos, eu acredito.
Uma mulher que afaga e trata bem o meu cachorro, sendo que às vezes o cão vadio possa ser eu mesmo, uma mulher que brinca de “never more” com o meu corvo Edgar, que diz sacanagens ao meu papagaio Florbé, que faz uma graça para o meu bode Ressaca... Essa mulher marca pontos importantíssimos, além de fazer o necessário na cartilha do amor mais franciscano.
Claro que essa forma de ver o amado ou a amada nos seus animais de estimação pode gerar também pequenos desastres, catástrofes nem sempre naturais. Uma amiga do Rio, por exemplo, evitava as gracinhas do cão do seu ex sempre que ele aprontava. Chegava a ser indelicada, grosseira, como se visse naquele labrador as pisadas na bola do seu dono. Acontece. Afinal de contas os bichos ficam um pouco, com o tempo, com os mesmos focinhos dos seus digníssimos proprietários.
Além de tudo isso, pelos animais que possui se conhece mais um pouco um homem.
Sério.
O cara que cria um gato tem muito mais chance de ser um homem sensível, embora até enfrente um certo preconceito entre os seus amigos, que insinuam uma certa viadagem, baitolagem ou perobice, para usar termos dos quais abusamos nos nossos encontros de futebol e boteco.
O homem que passeia orgulhosamente com o seu pitbull pode até não ser um monstro, mas aquela focinheira já diz um pouco do seu dono. Não que o cão tenha alguma culpa, ele está no mundo dele. O erro é de que o desloca e o usa para outros exercícios de violência.
Mas voltemos aos gatos, esses metafísicos e misteriosos animais. Como eles dizem tudo sobre o amor e sobre nós. O casal briga e eles incorporam o barraco. Vão lá e quebram tudo, reviram o mocó-saló de cabeça pra baixo.
Na harmonia e no amor intenso, lá está ele, sempre aos nossos pés. Como eles adoram ver e sentir os cheiros da hora do sexo. Eta bichanos voyeuristas. Eles se enroscam na cama depois das nossas melhores noites. Cumprimentam-nos pelo afeto e pela performance. Um belo “miau” de parabéns, como se dissesse, a nos arranhar de leve, estão vendo como o amor pode dar certo, seus cães danados?!
Escrito por xico sá às 22h50
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RONDÓ DO PADRE VOADOR
Ô vontade de fazer como o padre dos balões coloridos
E pelos ares dar um belo perdido
E cair vivo beeeeem distante
Como um Walt Whitman delirante
Mesmo que na ilha
não tenha sequer um radinho de pilha
O que vale é virar um Robinson Crusoé
...só pra ver qualé, mané!
Mesmo que lá não tenha futebol
E os deuses brinquem de chutar o sol
Mesmo que não tenha puteiro...
Me acabo na mão feito colher de pedreiro
Dou um belo balão no cartão visa
E vou viver de flozô e brisa
Recitando Vinícius e Bandeira
Para a minha mulher-bananeira
Ô vontade de fazer como o padre maluco
E cair direto na Aurora, Recife, Pernambuco
Porque mais vale um vigário voando
Do que dois ateus vagabundos
Mesmo que nos ares vire uma noviça
E dê até para o coroinha da missa
Ô vontade de ser o padre perdido
que deu um balão em Jesus Cristo
Quem me dera a coragem do vigário
E eu deixasse mesmo de ser otário.
Saísse de vez do plano terreno...
Pense!, imagine, meu caro John Lennon!
Escrito por xico sá às 22h02
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A PELEJA DOS XIFÓPAGOS
Eram irmãos siameses, xifópagos, unidos pelo tórax. Os gostos, porém, eram díspares. Virgílio, fino, leu James Joyce,quetais, essas coisas, lia antes mesmo de se despedir do primeiro dente de leite, berço. Camilo José, ingênuo e cândido, era viciado em histórias de príncipes, auto-ajuda e, mais recentemente, Paulo Coelho. Virgílio agüentou, de forma resignada, até a leitura, normalmente em voz alta, de “Veronika Decide Morrer.” Até que o coro grego anunciou a tragédia. Na cena de sexo do “11 Minutos”, outro best-seller do mago, Virgílio tentou desvencilhar-se a todo custo, chegando inclusive a ferir-se no embate. Passaram a viver, dali por diante,como cão e gato inseparáveis. Certo dia, senhores, em bravo duelo sonâmbulo, Virgílio alvejou, à queima roupa _embora a contragosto, não apreciava esteticamente o assassinato de tão perto_ o irmão Camilo com um tiro na perna. Deram entrada no nosocômio, deu polícia e notícias populares. Condenado sumariamente, havia uma estupenda dúvida jurídica: é justo Virgílio, pobre vítima, ser obrigado a pagar a mesma pena? Consultaram todos os alfarrábios para farejar alguma jurisprudência. Não havia caso do gênero em toda a esfera. Enquanto o tribunal superior não se manifesta, estão lá, Vírgilio e Camilo José, dividindo o mesmo corpo, mesmo infortúnio, a mesma cela.
Escrito por xico sá às 23h38
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TUDO PELO BOFE, TUDO PELA NEGA
Tudo é possível nos floridos inícios de namoros, cachos, romances, acasalamentos etc. Tudo na base do “ora direis, ouvir estrelas”.
Vale tudo.
Fazemos os 12 trabalhos de Hércules assobiando.
Carregamos, sem suar, a pedra que tanto pesou sobre o velho Sísifo.
O que você não me pede chorando que eu não te faça sorrindo?
Uma amiga acaba de me contar aqui, durante um vinho, o seu último sacrifício do gênero: fez uma interminável trilha pelo mato, daquelas que deixam até o mais caminhador dos índios ianomâmis no bagaço.
Tudo pelo bofe, seu mais novo pretendente.
Para completar, o rapaz, um Apolo, segundo ela, é vegetariano radical.
“Olhos azuis!!!”, ela gasta as exclamações. O mais é impublicável neste blog de carapuças e bons costumes.
O rapaz, diz ela, é vegetariano sectário. Carne nem pensar. E ela ama um filé mignon, um cordeiro, uma picanha, um galeto de padaria ou de esquina. Ama mas tem fingido que detesta...
Nada de bebida alcoólica, também apregoa. E ela adora uma boemia sem regras.
Lá vai então a nossa “sedentária ativista”, como ela se define, na mais íngreme das trilhas na selva. Haja mata atlântica. Quatro minutos depois ela já passava mal. Um inferno verde de Dante. Achava que iria morrer.
“Ele pegou e ficou segurando a minha mão”, derrete-se a nega qual Aviação de latinha.
Ah, uma cerveja!, ela pensava enquanto ele ofertava aqueles líquidos de atleta.
Os sacrifícios dos capítulos iniciais da paixão, do amor ou do possível amor.
O pior, brincamos, é que ele não come nada que tenha rosto _eis a moral dos vegetarianos.
E a minha amiga, é bom que se diga, tem um rosto lindo, lindo, lindo. Um espetáculo na flor dos seus 35 veraneios.
Além de trilha, o cara também faz yoga.
O que me fez lembrar de um amigo, nordestino de boa cepa que habita São Paulo há tempos, que começou a fazer yoga (olha o biquinho do “ô” fechado!) por causa de uma mulher que frequentava a tal aula. Sacrifícios do amor, ora veja.
Faz-se de tudo na paixão roxa.
Meu amigo Moreno, por exemplo, odeia comida japonesa, mas vive a empanturrar-se dos sashimis mais exóticos por causa de uma gazela. “Adooooro tudo do mundo oriental”, derramava-se o canalha. “Tóquio é uma maravilha, estive lá no ano passado; na próxima a gente vai juntos”, mentia o adorável carioca.
Tudo é possível no momento de bater o centro, dar o pontapé inicial no namoro, no cacho, no rolo, no romance, seja lá que batismo tenha essa arte de juntar duas criaturas para o bem-bom da vida.
Faz-se de tudo. Até sexo em pé numa rede, essa arte-mor nunca prevista pelos manuais, catecismos ou Kama Sutra, mas nobilíssima para as tribos do norte.
Faz-se de tudo. Intelectual apaixonado lê Paulo Coelho, quando o autor é o preferido da sua costela, e ainda encontra um corte epistemológico para morrer de elogiá-lo. Vale tudo, o amor tudo pode.
Machão tosco vê cinema francês ou iraniano e chora de molhar a camisa; mulher se acaba de torcer num Fla X Flu, num Tupi x Atlético, num Sport x Salgueiro, num Botafogo x Madureira...
Isso é lindo, aqui e agora, viva a densidade possível. Depois é depois, ai é só tentar continuar na arte zen de consertar chuveiros e encrencas... Casar ou comprar uma motocicleta será sempre o nosso eterno dilema.
Escrito por xico sá às 11h15
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NOITE DE AUTÓGRAFOS NA PRAIA
neste SÁBADO, 19/04, a partir das 19h, os CABALLEROS SOLITÁRIOS RUMO AO SOL POENTE chegam a SANTOS, com este escriba no comando da diligência. A festa será na REALEJO, a mais simpática e risonha livraria do Brasil, na avenida Marechal Deodoro, número 02 -fone 3289.4935. O Zé Luis, mestre na arte de gelar cervejas, já começou os preparativos. AMIGOS e LEITORES SANTISTAS, passem por lá, os autógrafos serão especialmente derramados e no capricho. Inté!
Escrito por xico sá às 18h04
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AMOR SOB ENCOMENDA
Nos idos dos 80, no Recife, inaugurei um serviço especial de “poemas de amor sob encomenda”, que eu apelidei carinhosamente de “Miss Corações Solitários”, como no livro de Nathanael West, que acabara de ler. Funcionava à sombra dos benjamins do Espinheiro, precisamente na sede das edições Pirata, adonde exercia o ofício de amanuense e escriba.
Marketing miserável e joãogrilesco de um escriba só o couro e o osso, que olhava a sua própria sombra magra e tinha medo. A estratégia foi um sucesso. Depois de um anúncio dominical nos classificados do Diário de Pernambuco, eu não dava mais conta dos pedidos e passei a terceirizar sonetos e acrósticos, tarefa fácil na terra de Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo, Alberto da Cunha Melo, João Cabral, Carlos Pena Filho, Marco Polo, Ângelo Monteiro, Zizo...
Ajudei a começar romances, reatar namoros, dar esperanças, iludir boyzinhas, parabenizar amadas, encorajar amantes, suspirar viúvos, incendiar mancebos e reacender o fogo de lindas e calientes afilhadas de Balzac.
A felicidade não se compra, como já nos avisou o cinema, mas que amealhei algumas patacas, amealhei. Recife virou uma festa, melhor do que a Paris de Hemingway.
O motivo dessa crônica, no entanto, não é o de ficar apenas mascando o chiclete da nostalgia. Nada disso. O motivo é de arrepiar. E se chama Marina Cavalcante. Pernambucana de Olinda, hoje habitante do bairro de São Matheus, na zona leste de São Paulo, tinha 20 anos quando me encomendou uma prosa-poética para o namorado.
Agora com 39, viu este mal-assombro que vos escreve no programa de TV do Lobão _o “Saca-Rolha”, que passava no canal 21 de SP_ e me procurou agora para contar a sua história. “Ele, Roberto, achava que eu o traia, por isso pedi o poema sobre a minha fidelidade, pra fazer ele chorar, lembra?” ela pergunta. Claro que não recordo. Eram tantos casos. O poeta Jaci Bezerra, velho amigo e testemunha ocular da história, que o diga.
E aí, conta logo, menina: “Ele, Roberto, acreditou em mim, vivemos um lindo amor por cinco anos, o amor da minha vida, por isso a minha felicidade de achar o sr. na televisão e agora aqui na internet, pra agradecer, tanto tempo depois”.
Homem que é homem chora bonito, chora mais alto. Não me contive com o episódio. Marina casou com outro aqui em São Paulo, hoje está separada, e diz que não esquece o motivo daquele velho poema. Bela história. Deu até vontade de retomar as encomendas, as costuras para fora. Bom saber que a minha melopéia punk-brega comoveu até um macho à moda antiga, mas do tipo que ainda manda flores, caso do grande amor da vida de Marina.
Escrito por xico sá às 20h12
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