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ORAÇÃO À NOSSA SENHORA DOS QUE AMAM SOZINHOS
Nossa Sra. dos que Amam Sozinho, perdoa-me pela insistência, nem mais é por tanto quere-la, é por deixar claro, nega que sopra das intimidades dessa oração, que só ela me faz passar da conta, perversa, cair no abismo mais lindo do gozo sem volta, como naquele encosto de beira de estrada, como na rodovia estrangeira de Sam Shepard, crônicas de motel, simbora! Nossa Sra. dos que só pensam nela, cotovelos lanhados de tanta espera, tantos sustos nas ruas, nos bares, “é ela!!!”, Nossa Sra. Dos Cotovelos da Surpresa e das janelas, tão gastos, cinzas, peles, dobras, e tanta fome de viver aqui dentro, megalomaníaco, épico, terá sido a força do desprezo??? Não creio, sr. Albero Moravia. É mesmo a paudurescência, nostalgia precoce das grandes histórias, o tempo inteiro, pensando, pensando, pensando, mas no fundo gostas! Os joelhos lanhados pela romaria, devoção e insistência. Nossa Sra. da Vida Alongada que consegue, nos seus exercícios de Kama Sutra, me levar à coisa mais sagrada. Nossa Senhora!!! Amor demorado, anjo exterminador da alcova sem pílulas milagrosas. Amor por tê-la, rara. Beijá-la delicadamente, como um cristão que dissolve na boca uma hóstia. Amar por horas, riachinhos d´águas que não se sabem donde, cada cantinho dum mapa que se inventou só pra se perder depois, sentimento é a verdadeira bússola dum homem, perdido docemente lá embaixo, lá embaixo, daquelas tuas vestes modernas que nunca te escondem. Lua cheia, vida crescente. Escuto Lê Déserteus, Boris Vian, ouviste?. Nossa Senhora dos que sentem muito e amam sozinho, rogai por nós que recorremos a vós!
Escrito por xico sá às 13h29
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A LINDA MIRADA QUE VEM LÁ DE BAIXO
Nada como aquela olhadinha que ela dá quando lá embaixo. Ainda e pra sempre, da série “detalhes tão pequenos de nós dois”. A vida se resume a observar, microscópio de eros, rei Roberto e velho Nelson, a mulher e o seu drama. Nada como aquela olhadela, sobrancelhas assanhadas, mirando lá de nossos países baixos cá para cima do nosso cocuruto alumbrado. Tão lindamente sacana, ah, que nega a minha nega, derreto-me como mantchega! Ela quer saber se estou gostando, claro que estou mortinho ali no pré-gozo. Tem um orgulho, “vê como faço bem feito e com gosto”, ali naquela olhadinha plongé, contra-plongé, depende de quem vê... Como eu gosto, ela diz, posso? Aperto com força os seus cabelos, resvalando numa fração de segundo para um carinho no rosto, lado esquerdo, com o lado B da mão e dedos, quiromancia e mistérios. Ela desce lá naquele cantinho fronteiriço, desenha a história do olho com riscos da língua em círculos, lambe a última costura da minha pobre existência, nirvaniza-me, petite mort, e assina nossos batismos lindos com lambidas góticas, assim como quem escreve inocentemente na areia, coraçãozinho flechado, e o nome de quem aposta, como se o amor fosse um jogo do bicho. Não resisto a olhadinha lá de baixo, vem cá, estou longe e perto, meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo, como na canção do 2 e 2 são cinco. Como nosso universo é tão perfeito aqui na cama, só na cama, lá embaixo, na cama zen, japão do amor, horizontalizo-me, para sempre, viro réptil, nunca mais me levanto, nunca mais me levanto e ando, odeio meus Lázaros internos, agora eu quero mais é nadar no seco, melhor jeito de navegar aos teus pés, e de vez em quando, quer saber?, afundo as mãos nos arrecifes e te dou um peixinho, como aquele do conto de Virgílio Piñera, que aprisiono nas profundezas sujas das nossas existências.
Escrito por xico sá às 00h08
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AS FICÇOES DE UM FALSO DON JUAN *
Trata-se de um compulsivo. Um doente. Nas suas histórias, ninguém escapa. Para ele, não tem mulher difícil. Ele não é de Caratinga, mas assim como o Ziraldo, filho ilustre de tal sítio mineiro, nunca broxou na vida. Terror das casadas, mestre com as viúvas, monstro priápico de todas as donzelas, ele contabiliza mulheres imaginárias com tracinhos riscados na parede da cabeceira da cama. Sim, amigos, vale o velho adágio: cão que muito ladra... Estamos diante de um Casanova de araque, o falso e doentio don Juan, um dos personagens mais hilários, para não dizer infantis, dos nossos modos de macho e os seus chabadabadás. O homem, o mito, a fraude. Narrativas eróticas que jamais aconteceram à vera, apenas e tão-somente na garganta, riacho de muitos peixes grandes do contador de vantagens. É o tipo da corrupção que começa logo nos verdes anos, na mentira de que não somos mais donzelos, não somos mais virgens, e daí levamos ao túmulo, incorrigíveis e tarados falseadores. No princípio, é uma vergonha assumir a virgindade no meio de tantos machões que nos desfiam suas epopéias com o mulherio. Aí contamos também a nossa “vasta experiência”. Não somos nada bocós, naquele momento, para ficarmos com a pecha de meninos puros e bestas. Um amigo relata no botequim que traçou uma flor do bairro ou a gostosa da firma; ouve de imediato o coro ridículo carregado de chope, caldinho, torresmo e testosterona à milanesa: “Comi muiiito!” Sempre a mesmíssima história. Ah, como somos óbvios. Ninguém quer bancar o antiherói e dizer que mal dá conta dos afazeres caseiros. O falso don Juan é a doença infantil e incurável do machismo. Até quem não precisa contar vantagens acaba deslizando na tentação de parecer o supermacho. Basta uma rodada no boteco para que a testosterona desça-lhe à cabeça. Sim, deixa o menino brincar, como cantava o Jorge Ben das antigas, que mal faz o delírio sexual do predador por natureza, essa praga inevitável!? Ah, faz sim. Não carece propagar aos quatro cantos os seus feitos. Muito pelo contrário. Mais vale a estratégia mineira dos come-quietos ou dos ursos pés de lã que atacam sem que ninguém perceba o alcance do bote. Ademais, é chato para as moças. Não digo pelo velho, careta e surrado “vai ficar mal-falada” na firma, no bairro, na pequena cidade. O ruim é que pode pode enxovalhar a imagem da senhorita mesmo. Principalmente quando o Pinóquio metido a don Juan é a maior sujeira na área, aquele com quem nenhuma iria mesmo arriscar a pele na cama. Moral popular da fábula: todo homem, assim como todo pescador que se preza, tem sempre uma aventura maior que a vara. *Da VogueHomem deste mês/nas bancas
Escrito por xico sá às 23h08
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A ARTE DE PEDIR EM NAMORO *
É namoro ou amizade? Rolo, cacho, ensaio de amor, romance ou pura clandestinidade? “Qualé a sua, meu rapaz?!”, indaga a nobre gazela. E o homem do tempo nem chove nem molha. Só no mormaço, só na leseira das nuvens esparsas. No tempo do amor líquido, para lembrar o título do ótimo livro de Zygmunt Bauman sobre a fragilidade dos encontros amorosos de hoje em dia, é difícil saber quando é namoro ou apenas um lero-lero, vida noves fora zero... Cada vez mais raro o pedido formal de enlace, aquele velho clássico, o cara nervoso, se tremendo como vara verde: “Você me aceita em namoro”? O tempo passava e vinha mais um pedido clássico e igualmente tenso. O pedido de noivado. Mais adiante, a hora fatal, mais uma tremelica do jovem mancebo: Você me aceita em casamento? E pedir a mão,aos pais, meu Deus, haja nervosismo, melhor tomar um conhaque na esquina para encorar-me. São raros, raríssimos hoje esses nobres pedidos. Em alguns setores mais modernos e urbanos, digamos assim, talvez nem exista mais. O amor e as suas mudanças. A maioria dos homens, além de não pedir em namoro, além de não pegar no tranco, ainda corre em desespero diante de uma sugestão ou proposta de casamento feita pela moça. O capítulo bom da história é que agora as mulheres também partem para o ataque e, diante de uns temerosos ou acanhados sujeitos, escancaram suas vontades, suas paixões, e fazem suas apostas, seus pedidos, põem na mesa os seus desejos e as cartas de intenções. Voltando ao mundo dos homens, lembro que era bem bacana esse suspense masculino do “você quer namorar comigo?” Havia sempre o medo do fora. Um sim, mesmo o mais previsível, era uma festa. “Quer namorar comigo?” No tempo do “ficar”, quase nada fica, nem o amor daquela rima antiga. Alguns sinais, porém, continuam valendo e dizem muito. O ato das mãozinhas dadas no cinema, por exemplo, ainda é o maior dos indícios. Tanto quanto um bouquet de flores, mais do que uma carta ou um email de intenções, mais do que uma cantada nervosa, mais do que o restaurante japonês, mais do que um amasso no carro, mais do que um beijo com jeito, daqueles que tiram o gloss e a força dos membros inferiores. “Vamos pegar uma tela, amor?”, como se dizia não muito antigamente. Eis a senha. Mais até do que um jantar à luz de velas, que pode guardar apenas um desejo de sexo dos dons Juans que jogam o jogo jogado e marketeiro. O cinema, além da maior diversão, como diziam os cartazes de Severiano Ribeiro, é a maior bandeira. Nada mais simbólico e romântico. Os dedos dos dois se encontrando no fundo do saco das últimas pipocas... Não carecem uma só palavra, ainda não têm assuntos de sobra. Salve o silêncio no cinema, que evita revelações e precoces besteiras. Ah, os silêncios iniciais, que acabam voltando depois, mas voltando sem graça, surdo e mudo, eterno retorno de Jedi. Nada mais os unia do que o silêncio, escreveu mais ou menos assim, com mais talento, claro, Murilo Mendes, poeta dos melhores e mais líricos. Palavras, palavras,palavras... Silêncio, Silêncio, silêncio... Dessas duas argamassas fatais o amor é feito e o amor é desfeito. Simples como sístole e diástole de um coração que ainda bate. *Do meu livro novo "Chabadabadá -aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha"(ed.Record).
Escrito por xico sá às 21h51
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SINUCA PEDAGÓGICA NA LAPA DE BAIXO
Você sabe o que diabos seja um macho-tupperware? E um macho-jurubeba? O homem-bouquet você conhece, né? Estes e outros personagens do meu livro novo (Cha-ba-da-ba-dá, editora Record), você conhece neste vídeo http://terratv.terra.com.br/Noticias/4701/Istoe.htm
Escrito por xico sá às 13h45
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SEXO E FUTEBOL, A TABELINHA PERFEITA
O Brasil só joga dia 15/6, mas a histeria já começou. Só se fala em Copa,toda propaganda tem Copa,toda página de jornal idem, todo banner etc etc, a tal da Pátria em chuteiras, como chamava o tio Nelson, está mobilizada. Prefiro futebol em tempos normais, de preferência da Segundona para baixo, mas gosto da Copa pela farra, a Pátria em shortinhos e miniblusas azuis, verdes, amarelas... A galera vai à loucura, os marmanjos piram em uma histeria que nem o Freud deu conta: infinitamente mais perturbados do que as mulheres com essa doença. Mas reparem, garotas e afilhadas de Balzac, no aspecto maravilhoso desse fanatismo: os últimos levantamentos revelaram um dado que sempre pareceu bastante óbvio, mas precisava da aura científica para se eternizar: a quantidade de testosterona produzida por um homem aumenta significativamente quando o seu time do coração é vitorioso. Mesmo que o jogo seja contra o Íbis, considerado historicamente como o pior time do mundo, com 70 e tantos anos de derrotas nas costas. Ora, sendo a testosterona um hormônio ligado diretamente aos estímulos sexuais, é claro que um homem de bem com o seu time será um animal pelo menos 27,6% mais "animado" nos trapézios e bambuais do Kama-Sutra. O percentual acima representa a quantidade do hormônio produzida a mais no corpo de um homem nos dias de vitórias do seu clube. A pesquisa foi feita pela Universidade da Geórgia (EUA). É. Um bando de loucos do departamento de sexologia de tal cátedra. As mulheres devem tirar proveito desta pesquisa e aprender com os seus parceiros tudo que sempre quiseram saber sobre tiros de meta, volantes, meia ofensivos, escanteios e, queira Deus, até mesmo os mistérios da lei do impedimento -uma das coisas mais enigmáticas para as mulheres normais. Mais um dado interessante da pesquisa, aterrorizante para quem torce por times tipo "B", é o seguinte: nas seguidas derrotas, o "homo-fanaticus" perde um tanto da sua capacidade de produzir hormônios (os mesmos 27,6%) e apresenta-se inapetente para o amor ou o sexo propriamente dito. Tente reanimar um sujeito, amiga, mesmo com os melhores dos dengos orais, depois de uma derrota acachapante da sua equipe! Agora, as mulheres, que jamais compreenderam o banzo sartreano dos machos derrotados no futebol, podem entender aquelas quartas tristes e monossilábicas, aqueles nossos domingões acabrunhados. O pior é que não adianta nada pedir para um sujeito mudar de time e tornar-se mais vencedor. Como sempre repito, mesmo com a promessa de 27,6% de testosterona-plus, é mais fácil um homem-que-é-homem mudar de sexo do que de clube.
Escrito por xico sá às 22h47
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ATÉ QUE A COPA NOS SEPARE*
Todo ano de Copa do Mundo, reaparece o mesmo manual, com algumas pequenas modificações, sobre o comportamento ideal das mulheres durante o massacre esportivo que dura um mês nas nossas pobres vidas. Não se sabe mais quem seja o porco-chauvinista gozador que escreveu originalmente as regras, mas discordo totalmente. Creio no torneiozinho mundial como uma grande farra, aquele período em que mais aliamos o nosso gosto por futebol com a nossa devoção às moças. O breviário do macho copeiro começa falando da posse 100% do controle remoto, recomenda que as esposas leiam cadernos de esportes se quiserem conversar o mínimo com os maridos e ordena: “Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair.” E por ai seguem os mandamentos mais canalhas, como o quinto, por exemplo, que nos soa bem gay, aliás: “É uma boa idéia manter pelo menos duas caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e petiscos. E, por favor, não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você estará autorizada a assistir TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.” Esse negócio de encher a casa de homem e esquecer a cria da sua costela, sei não, meu caro, estou fora. Como aprecio mesmo é futebol de time, incluindo os campeonatos mais chinfrins, vejo na Copa uma chance rara de fazer a festa com o mulherio. É o que acaba ocorrendo mesmo, na maioria dos lares e botecos, pois cresce o interesse delas pelas ditas artes ludopédicas. Sem essa de Pátria em chuteiras, como cravou o gênio do Nelson Rodrigues. A festa da Copa é a boa hora de nos deliciar com a Pátria em shortinhos verde e amarelos, em miniblusas com lacinhos e outras belas fantasias que a ocasião nos proporciona. Repare só neste outro ponto do supracitado manual dedicado às mulheres: “Não incomode a mim ou aos meus amigos perguntando sobre as regras do futebol. Olhe o jogo e finja que está entendendo. Pule e grite quando eu pular e gritar. Nunca, jamais pergunte como funciona a regra do impedimento. Você não vai entender.” No que eu aconselho as damas: deixa o desgraçado em paz com os amigos, ui, ui, numa boa, numa nice, e sai com as amigas para o bar mais próximo. Sempre terá um vagabundo na área mais interessado no seu visual do que no telão canarinho. O décimo mandamento machista é um primor: “Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque: a) Eu não vou; b) Eu não vou, e c) Eu não vou.” Como diria o velho Costinha, com a sua imoral bocarra, “noooooossa”, virgem, santa, essa batida de pezinho “não vou, não vou, não vou” é inconscientemente reveladora. Tô fora! *texto da minha coluna de hoje (19/05) no Correio da Bahia
Escrito por xico sá às 18h32
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BULA DO MEU NOVO LIVRO --BY EDITORA RECORD
O macho está perdido -no mato sem cachorro ou GPS- diante da modernidade da fêmea? Motivo de conferências, fóruns, jornadas psicanalíticas, seriados e muita filosofia de botequim, a pergunta que não quer calar é o tema instigante deste volume de crônicas e contos. Rindo da sua própria tragicomédia, Xico Sá ironiza a perdição masculina e faz a sua devoção às moças –beijar pés, afinal de contas, é a sua atitude predileta na vida boêmia. Chabadabadá, referência à trilha do filme “Um Homem, Uma Mulher”,obra-prima de Claude Lelouch, reúne apenas personagens reais. Da lolita à afilhada de Balzac, do homem-jurubeba –criatura em extinção- ao sensível metrossexual. Apaixonado pela alma encantadora dos bares e das ruas, o autor narra segredos da prosa e do sentimento dos marmanjos, fornecendo um guia precioso para entender os tempos de “homens frouxos”, como define Xico Sá.
Venda com desconto promocional de lançamento na Livraria da Folha www.livrariadafolha.com.br
Escrito por xico sá às 18h44
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DECÁLOGO DE UM HOMEM FEIO
Dez coisas que um homem feio deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata: I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como repetia o mal-diagramado Sérge Gainsbourg – o tio francês que pegava a Brigitte Bardot e a Jane Birkin, entre outras deusas. Sim, aquele mesmo francês cabra-safado autor do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”, claro. II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha miolo-de-pote de que as crias das nossas costelas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas. III) Que o feio, o mal-assombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite. IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente. V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto. VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância. VII) Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois de feita a caridade. VIII) Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras. IX) Que me desculpem as muito lindas, mas um quê de feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova. X) Saiba, por derradeiro, irmão de feiúra, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher sempre por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando lentamente a resistência das donzelas. Boa sorte, amigo esteticamente prejudicado, nesse grande ringue da humanidade!
Escrito por xico sá às 21h10
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O PODER DO SEXO PAGO
Por que os homens, mesmo os que têm mulheres incríveis, mulheres maravilhosas, procuram as prostitutas ou garotas de programa?É uma pergunta tão antiga quanto a humanidade. Segundo o meu pequeno repertório sobre o caso, uma das melhores respostas em torno do assunto foi a do monstro sagrado, o gênio, o homem, o mito, o ator Jack Nicholson. Quiseram saber do velho lobo do cinema o motivo pelo qual pagava para que belezuras o servissem, sempre em domicílio. Por que, afinal, um cara charmoso e interessante como ele, capaz de ficar, transar, comer, amar, dormir com as melhores mulheres desse mundo, ainda apelava para tal expediente? Nicholson não titubeou um segundo sequer. "Ora", disse, "não pago somente para que essas respeitáveis mulheres se desloquem até a minha casa. Pago caro, sim, pela possibilidade de poder mandá-las embora na hora em que eu bem entender". (Tradução livre do pelotense e amigo Lanzeta, um ex-profissional do ramo, agora bem comportado na serenidade do lar doce lar). Essa liberdade, na versão do ator, seria a grande vantagem do comércio do sexo sobre as ditas "mulheres normais". Assim como essa, existem várias respostas possíveis. Todas com o chamado fundo de verdade, todas deliciosamente furadas, todas porcamente machistas. Aí é que entra em cena Nickie Roberts, uma ex-stripper de Londres, autora do mais vasto ensaio sobre as mulheres de vida fácil: "As Prostitutas na História"(editora Rosa dos Tempos). O livro é um show de experiência própria e compilação de dados antropológicos, com finas citações de intelectuais de responsa como o Hobsbawm, por exemplo, sobre as chamadas "trabalhadoras do sexo" -como são politicamente tratadas. O calhamaço, com 430 páginas, pode até não responder a nossa dúvida, mas certamente nos ajudará a entender melhor essas moças e o poder que exercem e sempre irão exercer sobre nós. Sem esquecer, é claro, a fantasia de vocês, queridas leitoras, de pelo menos por uma noite -uma noitezinha e nada mais- vivenciarem este papel tão sedutor e fetichista. Seja sob a luz do poste da rua Augusta, em São Paulo, nos bregas em extinção no interiorzão do Brasil ou nos inferninhos pulverizados de eucalipto de todas as saunas. Não importa. Seja puta por vocação ou apenas as Brunas Surfistinhas da vida que desejam descolar um troco por uma temporada. Do New Sagitarius em BH ou o do Ladylaura, lá do Crato. E o Aritana Drinks, do Recife, infelizmente extinto, ali colado no ainda clássico bar Mustang? O que faz o homem, repito, amigo, mesmo o mais bem-sucedido dos dons Juans, historicamente procurar as Séverines –para lembrar aqui a personagem da atriz Catherine Deneuve na película “A Bela da Tarde”(Belle de Jour, 1967, do gênio Luis Buñuel)? Séverine, aliás, era uma burguesa, riquíssima, tinha de tudo, nada lhe faltava. Procurou um fino bordel por desejo mesmo. Tudo bem, a liberação sexual alterou um pouco essa história, mas a prostituição, pelo que se vê, resiste firmemente. A hipocrisia em relação ao tema, no entanto, segue a mesma, óbvio, não acha? & Modinhas de fêmea Esses gringos e suas pesquisas malucas. A última que me chamou a atenção foi a do neurocientista Steven Platek, do Georgia Gwinnett College(EUA). O cara concluíu que as curvas do corpo de uma fêmea deixam o macho tão louco como estivesse ingerido álcool ou outra droga qualquer. E tanto faz ser uma esquelética quanto uma mulher mais cheinha. O que importa é a pegada curvilínea. Isso me faz lembrar a frase do pára-choque do caminhão, um velho FNM, do meu pai: “Nas curvas do teu corpo, capotei meu coração”. Lindo, né não?
Escrito por xico sá às 15h20
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NEM TÃO ESOTÉRICO ASSIM
No varejão das pequenas crendices e mandigas, homem e mulher revelam uma diferença lindamente patética: a fêmea se põe mística quando inicia o processo de abandono do seu marido ou namorado; o macho se torna o mais crente e supersticioso das criaturas de Deus apenas depois que a casa cai, depois de um belo chute no traseiro. Quando a sua mulher ou namorada, amigo, começa a falar em retorno de Saturno, na simbologia do tarô, nos recados do feng shui etc, te liga, campeão: é pé na bunda à vista e na certa. Como já alertei aqui nesta mesma coluna, por trás de todo mapa astral ou de uma nova visita à cartomante há sempre um bom par de chifre à nossa espera. Ai só nos resta chupar o frio chicabom da solidão, como me ensinou o tio Nelson. Só nos resta mascar o jiló do desprezo. Só nos cabe sentar à margem do rio Piedra e chorar, segundo a recomendação suspeita do mago Paulo Coelho, este sim um incansável místico globalizado. Sim, amigo, a mulher é esotérica desde a véspera da tragédia. Nós batemos na porta da cigana mais vagabunda apenas depois que Inês é morta. Aqui me pego, agora mesmo, reparem no ridículo, lendo o destino e a sorte na borra de café, o velho método das Arábias. Mais perdido do que um escoteiro nerd e lesado no Pico da Neblina, um homem é capaz de tudo. No mato sem cachorro ou GPS, o macho moderno, este cara carente de banco de praça, faz sinal de SOS até para náufragos piores do que ele. Ô vidinha-Titanic e miserável. Opa, calma, calma, que vejo algo nos desenhos involuntários do fundo da xícara. Tento enxergar na borra do café o meu destino, a minha sorte e as escaramuças da pessoa amada, aquela maldita que nos parafusa na testa uma fantasia de viking. Sério, amigo, como somos esotéricos depois que a casa cai. Perai, epa, calma de novo que vejo algo bem definido no diabo da xícara. Parece uma fruta. Pera, uva, maçã? Limpo as lentes de quase dez graus de miopia e astigmatismo e finalmente decifro: uma cebola! Retrato do meu choro e do abandono? Seria o mais óbvio e imediatista. Na dúvida, recorro ao “Guia da leitura no sedimento do café –arte milenar árabe de interpretar sua vida”, um livro da Batia Shorek e Sara Zehavi, que acabo de adquirir em um sebo carioca. Opa, reparem só no significado da tal cebola: “Indica que a pessoa amada esconde algo do seu cônjugue e o assunto escondido é importante e pode machucá-lo”. Neste caso nem escondia mais, já havia ido embora, estava da caixa-prego para a frente, mas reparem como funciona a leitura da borra! Como homem, apenas li atrasado o fundo da xícara. Uma fêmea mística teria sabido tudo de véspera. & MODINHAS DE FÊMEA Como sempre louvei a presença recente de modelos mais cheinhas e reais, acho suspeito o que revela um estudo da Universidade do Arizona: em vez de ampliar a auto-estima de mulheres semelhantes, a nova tendência provoca ainda mais insatisfação das fêmeas com o próprio corpo. Duvido que campanhas publicitárias como uma feita recentemente pela Dove, que fugia do padrão da beleza esquelética, causem tal efeito. O plus-size, como o novo estilo é chamado no mundo da moda, é um sucesso e aqui o defenderei como um resistente gaulês.
(da coluna Modos de macho&modinhas de fêmea,publicada semanalmente no Yahoo!,O Tempo(BH),Diario de Pernambuco,Diario do Nordeste.Jornais e portais interessados devem entrar em contato com www.brpress.net).
Escrito por xico sá às 00h29
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SEJAMOS PORNOGRÁFICOS
“Oh! Sejamos pornográficos (docemente pornográficos)”, ainda ecoam no juízo os versos do respeitável e seriíssimo poeta mineiro Carlos Drummond. Agora atire o primeiro mouse caliente aquele que nunca deu uma espiadinha em um site pornô. Até o mais pudico ou pudica dos navegadores, suspeita-se, já viu filmes ou fotos do gênero durante uma insônia internética ou sem desculpa alguma mesmo –por puro e legítimo prazer. Foi-se o tempo em que precisávamos nos humilhar nas locadoras, escondendo as fuças diante da presença de amigos e vizinhos, quando nos flagravam na condenável estante das fitas pornográficas. Lembro ainda de como disfarcei um tempão, zanzando nas prateleiras de filmes-cabeças, para levar “Garganta Profunda” e “O Diabo na Carne de Miss Jones”, hoje clássicos, sem ser notado por uma priminha que catava inocentes comédias de amor. Hoje basta um clic e adentramos na maravilhosa camada da pornosfera. E para quem achava o hábito condenável, seja por questão moral ou psíquica, um estudo do Center for Sex and Society (Universidade do Havaí) desmistifica geral os males de tal prática. Além de não afetar em nada a mente do sujeito(a), a pornografia pode até torná-lo um melhor homem, uma mulher mais saudável. É falsa, por exemplo, a premissa de que o adepto tende a um comportamento de agressivo sexual ou qualquer associação com os casos de estupro. O relatório lança uma ideia contrária: com a superoferta pornô na rede de computadores, países como EUA, Japão, Dinamarca, Croácia, China, Alemanha e Polônia, entre outros, registraram uma queda de cerca de 30% nos episódios de violência sexual em comparação com o período pré-Internet. Segundo o mesmo estudo, a maioria dos criminosos sexuais tiveram menos acesso a filmes e fotos pornôs durante as suas trajetórias de vida do que as ditas “pessoas normais”. É, amigo, foi-se o tempo em que precisávamos sair das bancas de revistas escondidos com os catecismos do Carlos Zéfiro debaixo da camisa. A pornosfera está ai a serviço do desopilamento das mentes e do alivio do stress. Além do farto material disponível, tem ainda quem prefira o modo punk na linha “faça você mesmo”. É a turma das “ereções, ejaculações e exibicionismos”, como diz um título de um livro do velho safado e genial Charles Bukowski. Nada contra, amigo voyeur, amiga da webcam. Pode ajudar até a quebrar o tédio e manter os casamentos, não acha? Ou acredita que a prática se constitui uma traição, mesmo sem a chamada conjunção carnal? Você ai que aproveita o sono justo e profundo dele(a) para encontrar o(a) amante virtual, o que me diz dessa história? Enquanto isso o desalmado e pobre cronista aqui, humildemente, põe um ponto final e lava suas mãos. & MODINHAS DE FEMEA Cansadas de ver apenas enredos machistas voltados para excitar os homens, mulheres como Érika Lust, sueca de 32 anos que mora em Barcelona, estão mudando o panorama da indústria pornô. É desta senhorita o filme “Cinco histórias para ela”, ganhador do Feminist Porn Awards, Oscar especializado só em fitas do gênero. O roteiro de um dos episódios da fita: quando o marido –um jogador de futebol- viaja, a protagonista faz uma festinha íntima com os seus colegas de time. Acaba em uma transa quentíssima com dois dos rapazes. Nada mal.
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(da coluna Modos de macho&modinhas de fêmea,publicada semanalmente no Yahoo!,O Tempo(BH),Diario de Pernambuco,Diario do Nordeste.Jornais e portais interessados devem entrar em contato com www.brpress.net).
Escrito por xico sá às 19h00
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ANTIDOPING DO SEXO OU PELA BROXADA SAGRADA
Uma emenda em caráter urgente, urgentíssimo, à declaração universal universal do homem que é homem: pelo direito sagrado à brochada ou broxada, tanto faz, como registram nossos velhos e bons dicionaristas. É, estamos ao ponto de perder a nossa mais sensível e delicada condição, uma das raras, a nossa mais linda falência. A cada dia é uma química nova na praça. Pelo direito das moças realizarem exame antidoping nos marmanjos, para saber o que é vigor artificial e o que vem a ser o fogo que deveras queima o desejo por elas. Contra a fraude amorosa! Depois do Viagra, do Levitra, tem ainda o Cialis e outros congêneres que prometem 36 horas no ataque, sururu na área, na boca do gol, a tática do abafa. Um dia e meio em riste. Um final de semana de confusão. Quem agüenta? Ainda mais com aquela nossa força mecânica sem delicadeza alguma, achando que sexo é esporte apenas de lenhadores. Pelo medo do artilheiro diante do pênalti, pelo sagrado direito à broxada, pela carne trêmula diante da moça. Pelo suspense erótico, e até mesmo por aquela coisa hippie definida simplesmente como “questão de pele”, “química” etc. Clamamos, uma vez mais: queremos de volta a nossa falência demasiadamente humana. De ovo de codorna, de catuaba para cima, exame antidoping neles. Sim, ostra também vale, afinal de contas é o melhor dos afrodisíacos do embornal do velho Casanova. O uso das pílulas milagrosas é uma espécie de dumping, para usar a terminologia de mercado –quando um concorrente cria uma vantagem desleal na praça e vende o seu peixe de forma enganosa. Como a gazela ou a afilhada de Balzac vão saber se aquela devoção toda é motivada por elas mesmas ou pela química? Eis um novo item na lista de inseguranças femininas. E um reforço e tanto no reclamado machismo de todos os cabróns. Ora, a possibilidade da broxada nos torna mais humanos, mais sensíveis, atentos... Sem isso, imaginem a arrogância fálica, o poder macho, a plenitude da velha expressão “bater o pau na mesa”. Homem que é homem defende e preza pela humildade franciscana da broxada. Claro que se o tio já dobrou o Cabo da Boa Esperança e enfrenta a disfunção erétil, nada mais justo. Trata-se de questão médica, vai fundo, toda força, amigo. O triste é ver jovens, garotos que nem aprenderam ainda dar bom dia a uma mulher, fugindo à luta, descrentes dos seus próprios poderes. Pobres moços, mal sabem da bela compaixão e ternura que desperta uma broxada. Infalíveis, mimados pela mãe e pela química, irão passar a vida inteira sem essa bela experiência.
Escrito por xico sá às 02h04
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EM BUSCA DA SOGRA PERFEITA
Folclorizada no último, espécie de bumba-meu-boi dos casamentos, a sogra sempre foi motivo de chacota e demonização nos lares doces lares. Óbvio que há um certo e maligno inseticida do exagero pulverizado sobre a mãe das nossas mulheres, mas, convenhamos, as referidas senhoras estão longe de obter o alvará de soltura e de inocência neste debate. O problema é sério e universalíssimo. Não há a velha divisão antropológica -entre civilização e barbárie- em matéria de sogra. A mãe da cria das nossas costelas age da mesma forma em qualquer parte do planeta. Seja na Suécia, no Crato ou no reino dos esquimós e avatoscos. Viram só a iniciativa da Igreja Católica na Itália? Começou a tentar reeducá-las, em nome da manutenção dos casamentos e da paz nos lares doces lares. Incluíu no pacote de moral cristã também os sogros. Eles perturbam menos, porém também carecem de uns bons pitos e cascudos. O curso para as queridas sogras começou na cidade de Udine, no norte italiano. A tendência é que o Vaticano o estenda pelo mundo inteiro. O projeto, com ajuda de altos e gabaritados psicólogos, se chama "Famílias em diálogo, como ser pais eficientes com filhos que vivem a experiência de casal". Em alguns rincões daquele lindo país macarrônico, os sogros são responsáveis por até 50% do desmantelo conjugal dos pombinhos. Os outros 50% devem ficar por conta do tédio propriamente dito e inevitável dos casais, claro, a falta de sexo, a infidelidade, o futebol retranqueiro etc etc. Nunca cheguei a ter uma dona Olímpia como sogra, mas, amigo, não tenho grandes queixas de nenhuma delas, sempre me alimentaram com bons caldos e sopas e até riram generosamente das minhas pilhérias sem graça nos almoços dominicais. No mínimo, havia um bom tratamento a um poeta maluco que amava suas filhas –com algum risco que isso pudesse implicar, claro. Dona Olímpia, meu querido, foi a melhor sogra do mundo, a perfeita, aquela que descobriu a forma de fazer filha e genro felizes. Felizes na medida em que isso é possível em um casório, formalidade que na maioria das vezes destrói os ensaios de grandes amores. A distinta senhora, reza a lenda lítero-boêmia, existiu de fato, é a personagem maravilhosa do “Livro de uma Sogra”( editora Casa da Palavra, RJ) do escriba Aluísio de Azevedo, aquele mesmo autor de “O Mulato” e “O Cortiço”, tão obrigatórios nas escolas e nos vestibulares. Com a sua sogra exemplar, no entanto, o maranhense é divertidíssimo. Livraço. Olímpia, ainda no remoto 1895, sabe tanto das coisas que sempre trata de separar, com pequenas viagens e obrigações nada chatas, a sua filha e o consorte. Tudo para que nunca caiam na rotina acachapante. Quando noivos, reparem que gênia, ajuda a criar histórias que o deixem no suspense amoroso, apenas com boas pontinhas de ciúmes. Olímpia, que já havia passado por um casamento desastroso, fastio danado, cuida até em reduzir a solenidade da lua de mel, orientando os recém-casados a se embriagarem sem a obrigação do grande coito na noite inaugural. A consumação do amor,segundo ela, não poderia ser algo burocrático e abrupto, viria num crescendo de beijos e ternuras até uma explosão naturalíssima. Gênia. Um exemplo, leiam! *da coluna "modos de macho & modinhas de fêmea", publicada semanalmente no Diario de Pernambuco,O Tempo(BH),Diário do Nordeste e portal Yahoo!
Escrito por xico sá às 01h22
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OS MACHOS DANÇARAM, VELHO MAILER,ACREDITE
Diante dos últimos estudos científicos, arrazoados econômicos e observações particularíssimas, creio só nos restar uma saída: a retomada da nossa vocação medieval e agropastoril. A saída está no campo, nas montanhas ou no brejo propriamente dito. É tudo que sobrou para a rastejante criatura do sexo masculino no século XXI. É, amigo, faça como este cronista, comece a comprar também o seu pequeno rebanho de bodes e cabras. Os sinais da nossa falência como seres modernos partem de todas as fontes e disciplinas. O economista e jornalista Reihan Salamd, em texto para a revista Forbes já solta o rojão apocalíptico: “Podemos dizer agora, sem medo de errar, que o legado mais duradouro da atual crise financeira não será o fim de Wall Street. Não será o fim das finanças, e não será também o fim do capitalismo. Essas ideias e instituições sobreviverão. O que não sobreviverá é o macho”. Segundo o mesmo rapaz norte-americano, de apenas 29 anos e uma fortuna no banco, a crise internacional encerrou definitivamente o domínio sobre a fêmea. A tese do moço: até o fim do ano, 28 milhões de homens perderão o emprego e em conseqüência do baque psíquico estarão mais frágeis e infelizes do que nunca. Não é à toa, diz ele, que na blogosfera de finanças e economia, a situação é chamada de “he-cession”, um trocadilho em inglês para definir o peso do mundo sobre os ombros masculinos. Para justificar o seu mote catastrófico, Salamd cita estudos que mostram como a cabeçorra do marmanjo é mais afetada por uma demissão do que a mente feminina. E além disso, mulher, tem outra coisa, de acordo com o mesmo teórico: boa parte da ajuda dos governos para as instituições está indo para setores dominados pelas meninas –saúde, educação e serviços sociais. É, amigo, a falência do mundo é masculina e muitas mulheres têm sido eleitas ou nomeadas, tanto na política como na economia, em repúdio às barbeiragens dos canalhas. Repare no caso da Islândia, país varrido pela quebradeira global, que escolheu para o seu projeto de reconstrução a primeira-ministra Johanna Sigurdardottir, pioneira no mundo como grande líder declaradamente lésbica. O homem lesou e a mulher vai mesmo tomar conta do mundo. No atacado e no varejo. Observe como em qualquer serviço as moças resolvem com mais rapidez e competência. Fiquei impressionado outro dia, na recepção de um hotel em Santos, por ocasião do evento Tarrafa Literária, como o macho virou uma bobina, qual um carretel de cacimba de tão enrolado a criatura. Era apenas um check in, amigo, um simples procedimento de hotelaria, mas quem disse que o rapaz decifrava as coisas?! Bastou chegar uma simpática mocinha e,pá, pum, com dois toques no sistema, mostrou quão simples era tudo. Sim, é somente uma cena boba pinçada do dia-a-dia, porém diz muito. Nem preciso falar que o representante do sexo masculino tem inclusive mais tempo de casa do que a senhorita. Seria espezinhar demais a nossa trupe. Nas escolas, então, milhares de pesquisas, aqui e na Europa, revelam como as meninas dão couro nos homens abestalhados, incapazes de interpretar um texto. É, amigo, nos restam as atividades agropecuárias e as trincheiras das guerras, velhas práticas dos selvagens. Os machões dançaram, caríssimo Norman Mailer!
Escrito por xico sá às 20h39
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