o carapuceiro



TRABALHO,TRABALHO NOVO,TRABALHO

O jornalista é o único animal do planeta que quanto mais avança a tecnologia mais o desgraçado  trabalha. Isso é o que mais perturba e intriga. Agora mesmo, sábado, 17h40, e eu em cima dessa máquina.

Todos evoluíram com os tempos modernos e novos sistemas. Até o burro do campo, se livrou do arado pré-histórico.  

Nós, muito pelo contrário, aumentamos a nossa carga: fazemos o jornal, atualizamos o blog, perguntamos e ao mesmo tempo filmamos o entrevistado... Cobramos escanteio, corremos para cabecear e no percurso entre a bandeirinha do córner até a pequena área ainda mandamos uma informação no Twitter aos seguidores das obsessivas páginas virtuais.

Lembro bem o dia que apareceu o primeiro computador nas redações. Além do susto de alguns tiozinhos, o entusiasmo dos mais jovens: agora vamos diminuir as jornadas. Qual o quê. Com a internet, pior ainda, viramos processadores multiuso, centrífugas, chupa-cabras de textos e notícias.

O pior: o furo, essa mercadoria de luxo dos jornais, agora gira na velocidade do minuto a minuto. Parem as máquinas, quero meu furo -com 24 horas de vida, pelo menos- de volta.



Escrito por xico sá às 19h45
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AQUELA OLHADINHA Q VEM LÁ DEBAIXO

Nada como aquela olhadinha que ela dá quando lá embaixo.

 Ainda e pra sempre, da série “detalhes tão pequenos de nós dois”. A vida se resume a observar, microscópio de eros, rei Roberto e velho Nelson, a mulher e o seu drama.

 Nada como aquela olhadela, sobrancelhas assanhadas, mirando lá de nossos países baixos cá para cima do nosso cocuruto alumbrado.

Tão lindamente sacana, ah, que nega a minha nega, derreto-me como mantchega!

Ela quer saber se estou gostando, claro que estou mortinho ali no pré-gozo. Tem um orgulho, “vê como faço bem feito e com gosto”, ali naquela olhadinha plongé, contra-plongé, depende de quem vê...

Como eu gosto, ela diz, posso?

Aperto com força os seus cabelos, resvalando numa fração de segundo para um carinho no rosto, lado esquerdo, com o lado B da mão e dedos, quiromancia e mistérios.

Ela desce  lá naquele cantinho fronteiriço, desenha a história do olho com riscos da língua em círculos, lambe a última costura da minha pobre existência, nirvaniza-me,  petite mort, e assina nossos  batismos lindos com lambidas góticas, assim  como quem escreve inocentemente na areia, coraçãozinho flechado, e o nome de quem aposta, como se o amor fosse um jogo do bicho.

Não resisto a olhadinha lá de baixo, vem cá, estou longe e perto, meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo, como na canção do 2 e 2 são cinco. Como nosso universo é tão perfeito aqui na cama, só na cama, lá embaixo, na cama zen, japão do amor,  horizontalizo-me, para sempre, viro réptil, nunca mais me levanto, nunca mais me levanto e ando, odeio meus Lázaros internos, agora eu quero mais é nadar no seco, melhor jeito de navegar aos teus pés, e de vez em quando, quer saber?, afundo as mãos nos arrecifes e te dou um peixinho, como aquele do conto de Virgílio Piñera, que aprisiono nas profundezas sujas das nossas existências. 



Escrito por xico sá às 00h31
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O MEDO DA FÊMEA DIANTE DA BALANÇA

Você, amigo, sai com a pequena e ela só belisca, qual um passarinho, uns saudáveis farelos ou engole umas folhinhas sem graça. Que desgosto. Você caprichou na escolha do restaurante, acordou com água na boca por um prato que só você sabe onde encontrá-lo, quer fazer uma presença, fazer bonito com a cria da sua costela.

 Que desgosto, a gazela mira o ambiente com “nojinho”, de tão fresca. Uma estraga-prazeres, eclipse de um belo sabadão ensolarado.

 Ah, nada mais bonito do que uma mulher que come bem, com gosto, paladar nas alturas, lindamente derramada sobre um prato de comida, comida com sustança. Os olhinhos brilham, a prosa desliza entre a língua, os dentes, sonhos, o céu da boca. Ela toma uma caipirinha, a gente desce mais uma, sábado à tarde, nossa doce vida, nossos planos, mesmo na velha medida do possível.

Pior é que não é mais tão fácil assim encontrar esse tipo de criatura. Como ficou chato esse mundo em que a maioria das mulheres não come mais com gosto, talher firme entre os dedos finos, mãos feitas sob medida para um banquete nada platônico.

 Época chata essa. As mulheres não comem mais, ou, no mínimo, dão um trabalho desgraçado para engolir, na nossa companhia, alguma folhinha pálida de alface. E haja saladinha sem gosto, e dá-lhe rúcula!

A gente não sabe mais o que vem a ser o prazer de observar a amada degustando, quase de forma desesperada, um cozido, uma moqueca, uma feijoada completa, uma galinha à cabidela, massa, um chambaril, um sarapatel, um cuscuz marroquino/nordestino, um cabrito, um ossobuco, um bife à milanesa, um tutu na decência, mocotó, um baião de dois, uma costela no bafo, abafa o caso!

Foi embora aquela felicidade demonstrada por Clark Gable no filme ''Os Desajustados'', quando ele observa, morto de feliz, Marilyn Monroe devorando um prato de operário. E elogia a atitude da moça, loa bem merecida.

Além do prazer de vê-las comendo, pesquisas recentes mostram que as mulheres com taxas baixíssimas de colesterol costumam ser mais nervosas, dão mais trabalho em casa ou na rua, barraco à vista, intermináveis discussões de relação... Nada mais oportuno para convencê-las a voltar a comer, reiniciá-las nesse crime perfeito.

Moças de todas as geografias afetivas e gastronômicas, aos acarajés, às fogazzas, aos pastéis, aos cabritos assados e cozidos, ao  sanduíche de mortadela, à dobradinha à moda do Porto, ao lombo -de lamber os lábios!-, ao churrasco de domingo para orgulho do cunhado que capricha na carne e sabe a arte de gelar uma cerva. E aquela fava, meu Deus, com charque, enquanto derrete a manteiga de garrafa, último tango do agreste.

O importante é reabrir o apetite das moças, pois, repito, senhoras e senhores, o velhíssimo mantra: homem que é homem não sabe sequer -nem procura saber- a diferença entre estria e celulite.

Até a próxima e desejo a todas as mulheres um final de semana com  muita gula e todos os pecados capitais possíveis. Sem culpa, meninas! 



Escrito por xico sá às 15h14
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UM FEIRANTE NA VIDA DE UMA MULHER

Nada melhor que uma mulher que acabou de chegar da feira.

 Sacola na mão, fome de viver, sorriso de princesa.

 Os vendedores de frutas, peixes e verduras são mestres na arte de reconhecer talentos e animar as moças com os seus adjetivos. Adjetivos às pencas, elogios às dúzias, mimos, dizeres, samba exaltação, graças.

Meia hora de uma mulher na feira vale mais do que um mês de análise, do que a onda de orientalismos tantos do mercado, do que a yoga, do que o mestre japonês das agulhas, do que uma banheira de sais, do que um dia na Oscar Freire...

Nem mesmo quando as mulheres estão acompanhadas, os feirantes dão sossego. Esperam você, jovem mancebo, se distanciar um pouco, dois, três passos, e tome gracejos e flertes à baciada.

''Olha a manga, gostosa!'', bradam, administrando com malícia a vírgula e o duplo sentido na ponta da língua.

“Ovo e uva boa!”, arriscam para as elegantes damas de preto.

“Essa é modelo!”, capricham para as gazelas saltitantes. “Gisele!”

''Se eu fosse um peixe, eu seria um namorado!”.

É a boa guerra dos mascates. Eles vão no ponto, exatos como neurocirurgiões do desejo. Sabem de longe, por exemplo, quando uma mulher tem alguma encrenca com a idade. Em um segundo, sapecam um tratamento carinhoso:  ''Pra mulher nova, bonita e carinhosa, eu não vendo... eu me dou todinho!” E mais: “Só vendo pra menores de 18 acompanhada pelos pais”.

Em dias de chuva, mandam ver de acordo com o meteorologista: ''Essa é enxuta até debaixo d'água'', alardeiam.

Um bom feirante reduz até os efeitos de uma TPM, de uma dívida nunca paga, de uma culpa que corrói o juízo, de um regime ainda sem resultados _elas ainda não sabem que uma polegada a mais, uma a menos, pouco importa para quem tem gosto de fato por mulher.

Nada como incentivar o caminho da feira mais próxima da sua casa para as mulheres.

 No Ceasa, então, os adjetivos saem a grosso e a varejo, na bacia ou nos caixotes.

Os feirantes não mentem jamais. Eles sabem, mais do que ninguém, que em toda mulher, seja quem for, existe um traço ou um aspecto de beleza.

Afinal de contas, mulher é metonímia, parte pelo todo, você passa a apreciá-la por uma boca, um pé, uma orelha, uma mão, uma omoplata, um belo ilíaco ressaltado, uma saboneteira, uma marca sulcada de vacina, um corte no joelhinho esquerdo, uma cicatriz de artes de infância, uma bela bunda faceira, uma falsa magra, um umbiguinho do mundo, aquele tom cinza dos cotovelos da espera...

Na passarela dos feirantes, a insegurança feminina, mesmo naqueles dias em que o cabelo acorda brigando com as leis do cosmo, dissolve-se em segundos, num suspiro, na velocidade de um pastel, na ligeireza de um caldo-de-cana.



Escrito por xico sá às 13h29
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RISQUE MEU NOME DO SEU ORKUT

Você amigo, você fofolete, acaba o casamento, o romance, a novela, o amancebamento, o caso, o rolo, mas continuam acompanhando a vida do(a) ex no Orkut,no Facebook, nas redes sociais mais intimistas.

Um desastre. Podendo evitar, meu caro, minha princesa, evitem. Corra fora rapaz, corra, Lola, corra. Aproveitem que os laços foram cortados no plano real e passem a régua também nas espumas da virtualidade.

O mais é sofrimento à toa, reacender a fogueira do ciúme, masoquismo, perversão, sacanagem. Um risco que não vale mesmo a pena. Depois não digam que foi por falta de aviso. 

Qualquer recado ou post, mesmo os mais inocentes ou sem propósito, vira um inferno na terra. Para completar, tem sempre alguém mais sacana ainda e entra no jogo, só por ruindade, dando linha na pipa da maldade.

Prefira não, amigo, caia fora mesmo, Lola.

Não adianta nem tentar dizer que não liga, que é apenas virtual, que leva na buena, que acabou tudo bem e que é civilizadíssimo. Melhor evitar aperreios no juízo.

Você já prestou atenção, meu jovem, na fartura de tragédias amorosas que tiveram como espoleta da discórdia um simples comentário na Internet, uma foto sensual no Orkut, uma alteração no status do relacionamento?

E tem outra: precisa ser muito tranqüilo para não ficar fuçando a vida do(a) entidade chamada ex. Quem resiste ai levante o dedo.

Melhor evitar o brinquedo assassino chamado ciúme, esse satanás de chifre.

Sim, tem que ser forte para cair fora, para bloqueá-lo(a), para dar um tempo inclusive na amizade forçada –não há civilização no fim do amor, a barbárie e a selvageria sempre prevalecem.

Não basta o sofrimento mais do que real da ressaca amorosa? Basta.

Como recomendava a canção das antigas, risque o meu nome do seu caderno, pois não suporto o inferno, do nosso amor fracassado.

Ninguém segura essa onda. Claro que só uma minoria maluca chega à violência, ao inconcebível. A maioria, mesmo silenciosa, sofre horrores, se acaba, o velho pote até aqui de mágoa, como diria o xará Buarque, faça não, caia fora, faz bem para manter a sanidade.

Risque o meu nome do seu Orkut, diga ao Facebook que não estamos mais em um relacionamento sério...



Escrito por xico sá às 05h04
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ORAÇÃO À NOSSA SENHORA DOS QUE AMAM SOZINHOS

Nossa Sra. dos que Amam Sozinho, perdoa-me pela insistência, nem mais é por tanto quere-la, é por deixar claro, nega que sopra das intimidades dessa oração, que só ela me faz passar da conta, perversa, cair no abismo mais lindo do gozo sem volta, como naquele encosto de beira de estrada, como na rodovia estrangeira de Sam Shepard, crônicas de motel, simbora!

Nossa Sra. dos que só pensam nela, cotovelos lanhados de tanta espera, tantos sustos nas ruas, nos bares, “é ela!!!”, Nossa Sra. Dos Cotovelos da Surpresa e das janelas, tão gastos, cinzas, peles, dobras, e tanta fome de viver aqui dentro, megalomaníaco, épico, terá sido a força do desprezo???

Não creio, sr. Albero Moravia.

É mesmo a paudurescência, nostalgia precoce das grandes histórias, o tempo inteiro, pensando, pensando, pensando, mas no fundo gostas!

Os joelhos lanhados pela romaria, devoção e insistência.

Nossa Sra. da Vida Alongada que consegue, nos seus exercícios de Kama Sutra, me levar à coisa mais sagrada.

Nossa Senhora!!!

Amor demorado, anjo exterminador da alcova sem pílulas milagrosas.

Amor por tê-la, rara.

Beijá-la delicadamente, como um cristão que dissolve na boca uma hóstia.

Amar por horas, riachinhos d´águas que não se sabem donde, cada cantinho dum mapa que se inventou só pra se perder depois, sentimento é a verdadeira bússola dum homem, perdido docemente lá embaixo, lá embaixo, daquelas tuas vestes modernas que nunca te escondem.

Lua cheia, vida crescente.

Escuto Lê Déserteus, Boris Vian, ouviste?.

Nossa Senhora dos que sentem muito e amam sozinho, rogai por nós que recorremos a vós!



Escrito por xico sá às 13h29
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A LINDA MIRADA QUE VEM LÁ DE BAIXO

Nada como aquela olhadinha que ela dá quando lá embaixo.

Ainda e pra sempre, da série “detalhes tão pequenos de nós dois”. A vida se resume a observar, microscópio de eros, rei Roberto e velho Nelson, a mulher e o seu drama.

Nada como aquela olhadela, sobrancelhas assanhadas, mirando lá de nossos países baixos cá para cima do nosso cocuruto alumbrado.

Tão lindamente sacana, ah, que nega a minha nega, derreto-me como mantchega!

Ela quer saber se estou gostando, claro que estou mortinho ali no pré-gozo. Tem um orgulho, “vê como faço bem feito e com gosto”, ali naquela olhadinha plongé, contra-plongé, depende de quem vê...

Como eu gosto, ela diz, posso?

Aperto com força os seus cabelos, resvalando numa fração de segundo para um carinho no rosto, lado esquerdo, com o lado B da mão e dedos, quiromancia e mistérios.

Ela desce  lá naquele cantinho fronteiriço, desenha a história do olho com riscos da língua em círculos, lambe a última costura da minha pobre existência, nirvaniza-me,  petite mort, e assina nossos  batismos lindos com lambidas góticas, assim  como quem escreve inocentemente na areia, coraçãozinho flechado, e o nome de quem aposta, como se o amor fosse um jogo do bicho.

Não resisto a olhadinha lá de baixo, vem cá, estou longe e perto, meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo, como na canção do 2 e 2 são cinco. Como nosso universo é tão perfeito aqui na cama, só na cama, lá embaixo, na cama zen, japão do amor,  horizontalizo-me, para sempre, viro réptil, nunca mais me levanto, nunca mais me levanto e ando, odeio meus Lázaros internos, agora eu quero mais é nadar no seco, melhor jeito de navegar aos teus pés, e de vez em quando, quer saber?, afundo as mãos nos arrecifes e te dou um peixinho, como aquele do conto de Virgílio Piñera, que aprisiono nas profundezas sujas das nossas existências. 



Escrito por xico sá às 00h08
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AS FICÇOES DE UM FALSO DON JUAN *

Trata-se de um compulsivo. Um doente. Nas suas histórias, ninguém escapa. Para ele, não tem mulher difícil. Ele não é de Caratinga, mas assim como o Ziraldo, filho ilustre de tal sítio mineiro, nunca broxou na vida.

Terror das casadas, mestre com as viúvas, monstro priápico de todas as donzelas, ele contabiliza mulheres imaginárias com tracinhos riscados na parede da cabeceira da cama.   

Sim, amigos, vale o velho adágio: cão que muito ladra... Estamos diante de um Casanova de araque, o falso e doentio don Juan, um dos personagens mais hilários, para não dizer infantis, dos nossos modos de macho e os seus chabadabadás.

O homem, o mito, a fraude. Narrativas eróticas que jamais aconteceram à vera, apenas e tão-somente na garganta, riacho de muitos peixes grandes do contador de vantagens.

É o tipo da corrupção que começa logo nos verdes anos, na mentira de que não somos mais donzelos, não somos mais virgens, e daí levamos ao túmulo, incorrigíveis e tarados falseadores.

No princípio, é uma vergonha assumir a virgindade no meio de tantos machões que nos desfiam suas epopéias com o mulherio. Aí contamos também a nossa “vasta experiência”. Não somos nada bocós, naquele momento, para ficarmos com a pecha de meninos puros e bestas.

Um amigo relata no botequim que traçou uma flor do bairro ou a gostosa da firma; ouve de imediato o coro ridículo carregado de chope, caldinho, torresmo e testosterona à milanesa: “Comi muiiito!” Sempre a mesmíssima história. Ah, como somos óbvios.

Ninguém quer bancar o antiherói e dizer que mal dá conta dos afazeres caseiros.

O falso don Juan é a doença infantil e incurável do machismo. Até quem não precisa contar vantagens acaba deslizando na tentação de parecer o supermacho. Basta uma rodada no boteco para que a testosterona desça-lhe à cabeça.

Sim, deixa o menino brincar, como cantava o Jorge Ben das antigas, que mal faz o delírio sexual do predador por natureza, essa praga inevitável!?

Ah, faz sim. Não carece propagar aos quatro cantos os seus feitos. Muito pelo contrário. Mais vale a estratégia mineira dos come-quietos ou dos ursos pés de lã que atacam sem que ninguém perceba o alcance do bote. 

Ademais, é chato para as moças. Não digo pelo velho, careta e surrado “vai ficar mal-falada” na firma, no bairro, na pequena cidade. O ruim é que pode pode enxovalhar a imagem da senhorita mesmo. Principalmente quando o Pinóquio metido a don Juan é a maior sujeira na área, aquele com quem nenhuma iria mesmo arriscar a pele na cama.  

Moral popular da fábula: todo homem, assim como todo pescador que se preza, tem sempre uma aventura maior que a vara.

 

*Da VogueHomem deste mês/nas bancas

 



Escrito por xico sá às 23h08
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A ARTE DE PEDIR EM NAMORO *

         É namoro ou amizade? Rolo, cacho, ensaio de amor, romance ou pura clandestinidade? “Qualé  a sua, meu rapaz?!”, indaga a nobre gazela.

E o homem do tempo nem chove nem molha. Só no mormaço, só na leseira das nuvens esparsas.

No tempo do amor líquido, para lembrar o título do ótimo livro de Zygmunt Bauman sobre a fragilidade dos encontros amorosos de hoje em dia, é difícil saber quando é namoro ou apenas um lero-lero, vida noves fora zero...

Cada vez mais raro o pedido formal de enlace, aquele velho clássico, o cara nervoso, se tremendo como vara verde: “Você me aceita em namoro”?

O tempo passava e vinha mais um pedido clássico e igualmente tenso. O pedido de noivado.

Mais adiante, a hora fatal, mais uma tremelica do jovem mancebo: Você me aceita em casamento?

E pedir a mão,aos pais, meu Deus, haja nervosismo, melhor tomar um conhaque na esquina para encorar-me.

São raros, raríssimos hoje esses nobres pedidos. Em alguns setores mais modernos e urbanos, digamos assim, talvez nem exista mais.

O amor e as suas mudanças.

A maioria dos homens, além de não pedir em namoro, além de não pegar no tranco, ainda corre em desespero diante de uma sugestão ou proposta de casamento feita pela moça.

O capítulo bom da história é que agora as mulheres também partem para o ataque e, diante de uns temerosos ou acanhados sujeitos, escancaram suas vontades, suas paixões, e fazem suas apostas, seus pedidos, põem na mesa os seus desejos e as cartas de intenções.

Voltando ao mundo dos homens, lembro que era bem bacana esse suspense masculino do “você quer namorar comigo?”

Havia sempre o medo do fora. Um sim, mesmo o mais previsível, era uma festa.

“Quer namorar comigo?”

No tempo do “ficar”, quase nada fica, nem o amor daquela rima antiga.

Alguns sinais, porém, continuam valendo e dizem muito. O ato das mãozinhas dadas no cinema, por exemplo, ainda é o maior dos indícios.

 Tanto quanto um bouquet de flores, mais do que uma carta ou um email de intenções, mais do que uma cantada nervosa, mais do que o restaurante japonês, mais do que um amasso no carro, mais do que um beijo com jeito, daqueles que tiram o gloss e a força dos membros inferiores.

“Vamos pegar uma tela, amor?”, como se dizia não muito antigamente.

Eis a senha.

Mais até do que um jantar à luz de velas, que pode guardar apenas um desejo de sexo dos dons Juans que jogam o jogo jogado e marketeiro.

O cinema, além da maior diversão, como diziam os cartazes de Severiano Ribeiro, é a maior bandeira.

Nada mais simbólico e romântico.

Os dedos dos dois se encontrando no fundo do saco das últimas pipocas...

Não carecem uma só palavra, ainda não têm assuntos de sobra.

Salve o silêncio no cinema, que evita revelações e precoces besteiras.

Ah, os silêncios iniciais, que acabam voltando depois, mas voltando sem graça, surdo e mudo, eterno retorno de Jedi. Nada mais os unia do que o silêncio, escreveu mais ou menos assim, com mais talento, claro, Murilo Mendes, poeta dos melhores e mais líricos.

Palavras, palavras,palavras...

Silêncio, Silêncio, silêncio...

Dessas duas argamassas fatais o amor é feito e o amor é desfeito. Simples como sístole e diástole de um coração que ainda bate.

 

*Do meu livro novo "Chabadabadá -aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha"(ed.Record).



Escrito por xico sá às 21h51
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SINUCA PEDAGÓGICA NA LAPA DE BAIXO

Você sabe o que diabos seja um macho-tupperware? E um macho-jurubeba? O homem-bouquet você conhece, né? Estes e outros personagens do meu livro novo (Cha-ba-da-ba-dá, editora Record), você conhece neste vídeo http://terratv.terra.com.br/Noticias/4701/Istoe.htm



Escrito por xico sá às 13h45
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SEXO E FUTEBOL, A TABELINHA PERFEITA

O Brasil só joga dia 15/6, mas a histeria já começou. Só se fala em Copa,toda propaganda tem Copa,toda página de jornal idem, todo banner etc etc, a tal da Pátria em chuteiras, como chamava o tio Nelson, está mobilizada. Prefiro futebol em tempos normais, de preferência da Segundona para baixo, mas gosto da Copa pela farra, a Pátria em shortinhos e miniblusas azuis, verdes, amarelas...

A galera vai à loucura, os marmanjos piram em uma histeria que nem o Freud deu conta: infinitamente mais perturbados do que as mulheres com essa doença. Mas reparem, garotas e afilhadas de Balzac, no aspecto maravilhoso desse fanatismo: os últimos levantamentos revelaram um dado que sempre pareceu bastante óbvio, mas precisava da aura científica para se eternizar: a quantidade de testosterona produzida por um homem aumenta significativamente quando o seu time do coração é vitorioso. Mesmo que o jogo seja contra o Íbis, considerado historicamente como o pior time do mundo, com 70 e tantos anos de derrotas nas costas.

Ora, sendo a testosterona um hormônio ligado diretamente aos estímulos sexuais, é claro que um homem de bem com o seu time será um animal pelo menos 27,6% mais "animado" nos trapézios e bambuais do Kama-Sutra.

O percentual acima representa a quantidade do hormônio produzida a mais no corpo de um homem nos dias de vitórias do seu clube. A pesquisa foi feita pela Universidade da Geórgia (EUA). É. Um bando de loucos do departamento de sexologia de tal cátedra.

As mulheres devem tirar proveito desta pesquisa e aprender com os seus parceiros tudo que sempre quiseram saber sobre tiros de meta, volantes, meia ofensivos, escanteios e, queira Deus, até mesmo os mistérios da lei do impedimento -uma das coisas mais enigmáticas para as mulheres normais.

Mais um dado interessante da pesquisa, aterrorizante para quem torce por times tipo "B", é o seguinte: nas seguidas derrotas, o "homo-fanaticus" perde um tanto da sua capacidade de produzir hormônios (os mesmos 27,6%) e apresenta-se inapetente para o amor ou o sexo propriamente dito. Tente reanimar um sujeito, amiga, mesmo com os melhores dos dengos orais, depois de uma derrota acachapante da sua equipe!

Agora, as mulheres, que jamais compreenderam o banzo sartreano dos machos derrotados no futebol, podem entender aquelas quartas tristes e monossilábicas, aqueles nossos domingões acabrunhados.

O pior é que não adianta nada pedir para um sujeito mudar de time e tornar-se mais vencedor. Como sempre repito, mesmo com a promessa de 27,6%  de testosterona-plus, é mais fácil um homem-que-é-homem mudar de sexo do que de clube.



Escrito por xico sá às 22h47
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ATÉ QUE A COPA NOS SEPARE*

Todo ano de Copa do Mundo, reaparece o mesmo manual, com algumas pequenas modificações, sobre o comportamento ideal das mulheres durante o massacre esportivo que dura um mês nas nossas pobres vidas. Não se sabe mais quem seja o porco-chauvinista gozador que escreveu originalmente as regras, mas discordo totalmente. Creio no torneiozinho mundial como uma grande farra, aquele período em que mais aliamos o nosso gosto por futebol com a nossa devoção às moças.

O breviário do macho copeiro começa falando da posse 100% do controle remoto, recomenda que as esposas leiam cadernos de esportes se quiserem conversar o mínimo com os maridos e ordena: “Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair.”

E por ai seguem os mandamentos mais canalhas, como o quinto, por exemplo, que nos soa bem gay, aliás: “É uma boa idéia manter pelo menos duas caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e petiscos. E, por favor, não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você estará autorizada a  assistir TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.”

Esse negócio de encher a casa de homem e esquecer a cria da sua costela, sei não, meu caro, estou fora. Como aprecio mesmo é futebol de time, incluindo os campeonatos mais chinfrins, vejo na Copa uma chance rara de fazer a festa com o mulherio. É o que acaba ocorrendo mesmo, na maioria dos lares e botecos, pois cresce o interesse delas pelas ditas artes ludopédicas.

Sem essa de Pátria em chuteiras, como cravou o gênio do Nelson Rodrigues. A festa da Copa é a boa hora de nos deliciar com a Pátria em shortinhos verde e amarelos, em miniblusas com lacinhos e outras belas fantasias que a ocasião nos proporciona.

Repare só neste outro ponto do supracitado manual dedicado às mulheres: “Não incomode a mim ou aos meus amigos perguntando sobre as regras do futebol. Olhe o jogo e finja que está entendendo. Pule e grite quando eu pular e gritar. Nunca, jamais pergunte como funciona a regra do impedimento. Você não vai entender.”

No que eu aconselho as damas: deixa o desgraçado em paz com os amigos, ui, ui, numa boa, numa nice, e sai com as amigas para o bar  mais próximo. Sempre terá um vagabundo na área mais interessado no seu visual do que no telão canarinho.

O décimo mandamento machista é um primor: “Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque: a) Eu não vou; b) Eu não vou, e c) Eu não vou.”

Como diria o velho Costinha, com a sua imoral bocarra, “noooooossa”, virgem, santa, essa batida de pezinho “não vou, não vou, não vou” é inconscientemente reveladora. Tô fora!

 

*texto da minha coluna de hoje (19/05) no Correio da Bahia



Escrito por xico sá às 18h32
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BULA DO MEU NOVO LIVRO --BY EDITORA RECORD

O macho está perdido -no mato sem cachorro ou GPS- diante da modernidade da fêmea? Motivo de conferências, fóruns, jornadas psicanalíticas, seriados e muita filosofia de botequim, a pergunta que não quer calar é o tema instigante deste volume de crônicas e contos. Rindo da sua própria tragicomédia, Xico Sá ironiza a perdição masculina e faz a sua devoção às moças –beijar pés, afinal de contas, é a sua atitude predileta na vida boêmia.

Chabadabadá, referência à trilha do filme “Um Homem, Uma Mulher”,obra-prima de Claude Lelouch, reúne apenas personagens reais. Da lolita à afilhada de Balzac, do homem-jurubeba –criatura em extinção- ao sensível metrossexual. Apaixonado pela alma encantadora dos bares e das ruas, o autor narra segredos da prosa e do sentimento dos marmanjos, fornecendo um guia precioso para entender os tempos de “homens frouxos”, como define Xico Sá.  

Venda com desconto promocional de lançamento na Livraria da Folha www.livrariadafolha.com.br     



Escrito por xico sá às 18h44
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DECÁLOGO DE UM HOMEM FEIO

Dez coisas que um homem feio deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata: 

I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como repetia o mal-diagramado Sérge Gainsbourg – o tio francês que pegava a Brigitte Bardot e a Jane Birkin, entre outras deusas. Sim, aquele mesmo francês cabra-safado autor do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”, claro.

II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha miolo-de-pote de que as crias das nossas costelas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas.

III) Que o feio, o mal-assombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite.

IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente.

V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto.   

VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância.

VII)  Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois de feita a caridade.

VIII)  Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras.

IX) Que me desculpem as muito lindas, mas um quê de feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova.

X) Saiba, por derradeiro, irmão de feiúra, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher sempre por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando lentamente a resistência das donzelas. Boa sorte, amigo esteticamente prejudicado, nesse grande ringue da humanidade!



Escrito por xico sá às 21h10
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O PODER DO SEXO PAGO

 

 

          Por que os homens, mesmo os que têm mulheres incríveis, mulheres maravilhosas, procuram as prostitutas ou garotas de programa?

É uma pergunta tão antiga quanto a humanidade. Segundo o meu pequeno repertório sobre o caso, uma das melhores respostas em torno do assunto foi a do monstro sagrado, o gênio, o homem, o mito, o ator Jack Nicholson. Quiseram saber do velho lobo do cinema o motivo pelo qual pagava para que belezuras o servissem, sempre em domicílio. Por que, afinal, um cara charmoso e interessante como ele, capaz de ficar, transar, comer, amar, dormir com as melhores mulheres desse mundo, ainda apelava para tal expediente?

Nicholson não titubeou um segundo sequer. "Ora", disse, "não pago somente para que essas respeitáveis mulheres se desloquem até a minha casa. Pago caro, sim, pela possibilidade de poder mandá-las embora na hora em que eu bem entender". (Tradução livre do pelotense e amigo Lanzeta, um ex-profissional do ramo, agora bem comportado na serenidade do lar doce lar).    

Essa liberdade, na versão do ator, seria a grande vantagem do comércio do sexo sobre as ditas "mulheres normais". 

Assim como essa, existem várias respostas possíveis. Todas com o chamado fundo de verdade, todas deliciosamente furadas, todas porcamente machistas.

Aí é que entra em cena Nickie Roberts, uma ex-stripper de Londres, autora do mais vasto ensaio sobre as mulheres de vida fácil: "As Prostitutas na História"(editora Rosa dos Tempos).

O livro é um show de experiência própria e compilação de dados antropológicos, com finas citações de intelectuais de responsa como o Hobsbawm, por exemplo, sobre as chamadas "trabalhadoras do sexo" -como são politicamente tratadas.

O calhamaço, com 430 páginas, pode até não responder a nossa dúvida, mas certamente nos ajudará a entender melhor essas moças e o poder que exercem e sempre irão exercer sobre nós. Sem esquecer, é claro, a fantasia de vocês, queridas leitoras, de pelo menos por uma noite -uma noitezinha e nada mais- vivenciarem este papel tão sedutor e fetichista.

Seja sob a luz do poste da rua Augusta, em São Paulo, nos bregas em extinção no interiorzão do Brasil ou nos inferninhos pulverizados de eucalipto de todas as saunas. Não importa. Seja puta por vocação ou apenas as Brunas Surfistinhas da vida que desejam descolar um troco por uma temporada. Do New Sagitarius em BH ou o do Ladylaura, lá do Crato. E o Aritana Drinks, do Recife, infelizmente extinto, ali colado no ainda clássico bar Mustang?   

O que faz o homem, repito, amigo, mesmo o mais bem-sucedido dos dons Juans, historicamente procurar as Séverines –para lembrar aqui a personagem da atriz Catherine Deneuve na película “A Bela da Tarde”(Belle de Jour, 1967, do gênio Luis Buñuel)? Séverine, aliás, era uma burguesa, riquíssima, tinha de tudo, nada lhe faltava. Procurou um fino bordel por desejo mesmo.

Tudo bem, a liberação sexual alterou um pouco essa história, mas a prostituição, pelo que se vê, resiste firmemente. A hipocrisia em relação ao tema, no entanto, segue a mesma, óbvio, não acha?

 

& Modinhas de fêmea

 

Esses gringos e suas pesquisas malucas. A última que me chamou a atenção foi a do neurocientista  Steven Platek, do Georgia Gwinnett College(EUA). O cara concluíu que as curvas do corpo de uma fêmea deixam o macho tão louco como estivesse ingerido álcool ou outra droga qualquer. E tanto faz ser uma esquelética quanto uma mulher mais cheinha. O que importa é a pegada curvilínea. Isso me faz lembrar a frase do pára-choque do caminhão, um velho FNM, do meu pai: “Nas curvas do teu corpo, capotei meu coração”. Lindo, né não?



Escrito por xico sá às 15h20
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