DECIFRA-ME OU TE DEVORO
...por que elas acreditam, então?, perguntávamos todos no último capítulo sobre as pinoquices infantis dos hombres. Com a ajuda da comadre Dory Hollander e do copo sobre a mesa branca, tentaremos desvendar o mistério.
A psicóloga bagaceira arrisca várias respostas. Uma delas: as mulheres acham que ceticismo e romantismo não podem andar juntos, sob pena de estragar as coisas. Bonito isso, minha gente.
Dona Hollander nos separa, os machos, em dois blocos: os perigosos e, digamos, aéticos, que abusam da mentira, que enganam por "esporte e lucro", de forma inescrupulosa; os mentirosos ocasionais, que se mostram dissimulados sob pressão e desviam a realidade com pequenas lendas, artifícios para se livrar da "fúria feminina".
Nessa categoria estão também aqueles que poderíamos chamar de canalhas líricos, inocentes galanteadores como o personagem Bertrand Morane, no filme "O homem que amava as mulheres", do velho Truffaut, padrinho sentimental deste cronista.
Dublês de d. Juans, os Bertrands apenas enfeitam, douram a realidade nas suas peregrinações em busca das mulheres.
Seja qual for a sua classificação, a leitura do livro "As mentiras que os homens contam" pode ser feita de forma séria e compenetrada, na linha auto-análise, ou apenas como um delicioso chiclete para a mente, ora. Fiquem, pois, queridas leitoras, como essa pequena amostra grátis:
"As únicas fantasias sexuais que tenho são com você".
"Você é maravilhosa, merece alguém melhor do que eu".
"Relaxe, é apenas uma amiga".
"Vou deixar minha mulher".
"O que me atrai em você é a sua mente".
"Não, não acho você gorda".
Escrito por xico sá às 14h45
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MENTIR É EDITAR A VIDA
No varejo ou no atacado, quase todos nós já fomos ou continuamos incorrigíveis Pinóquios. Pequenas mentiras ou mentiras sinceras sempre nos caem bem como uma calça de tergal de brechó. Não carecemos nem citar aqui a sociologia, as estatísticas ou os grandes cronistas de usos e costumes. Vale lembrar, no entanto, que a mentira tem pernas curtas sim, mas são lindas e bem torneadas como as das pequenas sereias e outras mulheres lendárias do cinema.
Todos cometemos o pecado ou o deslize da mentira, uma forma talvez de editar, montar nossos próprios filmes, adequar a vida às nossas conveniências. Mas há uma diferença considerável entre homens e mulheres nesse capítulo. Ora, as fêmeas não mentem simplesmente, elas têm o dom de iludir, coisa mais sofisticada, como na canção de Noel Rosa. Os machos, coitados, simplórios, abusam amadoristicamente deste recurso tão natural quanto a água e o óleo de peroba.
É isso mesmo, até os melhores exemplares da raça masculina cometem as suas trapaças, dissimulações, subterfúgios, maquiagens na cara de Mr. Hyde da quase sempre insuportável realidade. Do presidente da corte superior ao trombadinha. A diferença é que uns ainda coram, enquanto outros não estão nem ai para as faces infestadas por bandeirosos cupins.
Todo esse lero-lero tão-somente para dizer que folheei dia desses, na espera do dentista, “101 mentiras que os homens contam _e por que elas acreditam” (ed. Ediouro), da norte-americana Dory Hollander, um clássico da psicologia barata. Aliás, nem no dentista foi, o fato deu-se no consultório do homeopata, quer dizer, no analista, digo, no proctologista...
Minto. Comprei mesmo o livro no sebo, por dever de ofício, e o devorei, olhos de traça. Que mentira que lorota boa, seu escriba de meia tigela, seu Zelig, que fica inventando desculpas para as leituras mais vagabundas.
Dane-se, comprei, folheei, não li direito mas gostei pacas. E quer saber, é um clássico da psicologia popular universal. Está para a fofoca de salão como “A Interpretação dos Sonhos” [de Freud] está para a psicanálise. São frases que podem ser ditas tanto em Manhattan como no sertão do Crato. Dona Hollander fez uma pesquisa séria, DataPinóquio, sobre nossas mentiras e nossas piores promessas.
Vai de um inocente "estou cansado demais" a um irresponsável "eu te amo" _dito na hora errada à mulher errada, no lugar errado”. Começo, meio e fim e a nossa cuca ruim, como na canção do príncipe Ronnie Von. Por que elas acreditam, então? Tentaremos decifrar o enigma no próximo post. Inté logo mais.
Escrito por xico sá às 11h55
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BARRAQUEIROS CORAZONES
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem no Crato...nem na Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” com o dedinho no gelo sem uma quebradeira monstruosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira costela ou com o primeiro traste que aparece pela frente.
Escrito por xico sá às 16h27
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