BREVIÁRIO PARA TENTAR ENTENDER AS GAZELAS
O que querem as mulheres, doctor Sigmund? Neste breviário à guisa de homenagem à justa e histórica efeméride, tentamos decifrar o enigma que come o juízo da humanidade qual a ferrugem da maresia em aro de bicicleta desde que Eva teve a primeira D.R. -a mitológica discussão de relação- com o bom menino Adão, aquele, o primeiro e único homem sem sogra da história universal. Ao breviário, sem mais nove-horas:
As mulheres querem que os homens adivinhem, sintam, farejem os seus desejos e vontades e antecipem essas realizações. Bem-aventurados os que descobrem que elas estão a fim de uma viagem à montanha e levam-nas à montanha; bem-aventurados os que sabem que elas não agüentam mais aquele velho boteco e levam-nas a um japonês decente; bem-aventurados os que sabem que elas gostam de novidades e detestam quando os garçons nos dizem “o de sempre, amigo?”
As nossas mulheres querem que tenhamos olhos só para elas. No que, aliás, foram contempladas biblicamente pelo décimo mandamento das tábuas da lei entregues por Deus a Moisés: não cobiçarás a mulher do próximo blábláblá etc.
As mulheres querem que alternemos momentos de homens sensíveis e momentos de lenhadores. E nós, na gana da obediência e do agrado, somos lenhadores quando nos queriam sensíveis e vice-versa, ê comédia de erros, velho camarada William. Sempre assim, tipo onde queres Leblon sou Pernambuco... onde queres romance, rock'nroll...
As mulheres querem que reparemos no novo corte de cabelo, mesmo que a alteração tenha sido mínima, tipo só uma aparada nas pontas. O radar capilar tem que acender a luzinha, sem falha, na hora, se liga! Se for luzes, entonces, cruzes!!!
As mulheres não toleram que viremos de lado e já nos braços de Morpheu depois da saudável prática da conjunção carnal. As mulheres querem carinho e entusiasmo, embora saibam que o único animal que canta e se anima depois do gozo é o galo, esse tarado pernalta incorrigível, incomparável.
As mulheres querem... massagem. Muita massagem. Primeiro nas costas, depois nos pés e sempre no ego.
As mulheres querem... molhinhos agridoces. Como elas se lambuzam lindamente!
As mulheres querem... flores e presentes. Não caia, jovem mancebo, nesse conto de que mulher gosta é de dinheiro. Se assim o fosse, amigo, os lascados de tudo não teriam nenhuma, nunca, jamé. Repare que até debaixo do viaduto está lá a brava fêmea na companhia do desalmado. Ela e o cachorrinho magro, só o couro, o osso e a fidelidade. O que vale é a devoção, amigo. Mesmo que você seja mais liso que os mussuns do tempo em que tomava banho de canal no Recife, pobre de marre-marré, pode muito bem presentear uma bijuteria de R$ 1,99 com a devoção e a dramaturgia de uma jóia da Tiffany´s _vide “Bonequinha de Luxo”, o filme.
A lista continua... ao infinitum. Deixe também sua colaboração para o nosso breviário e ajude o carapuceiro a desvendar os lindos mistérios da cria das nossas costelas.
Escrito por xico sá às 02h39
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A TEIA DE ARANHA E O APOCALIPSE
Faxineira, diarista, empregada doméstica ou qualquer funcionária do lar de um homem solteiro é sempre uma beleza. Um carinho, um zelo, botões repostos nas camisas, roupa cheirosa, cama, mesa e banho, tudo no capricho. Elas trabalham assoviando o sucesso da hora, o hit do rádio, apesar da vida nada fácil.
Aí basta o mancebo arrumar um xodó, um rolo, um cacho, uma costela... para aquele humor desmanchar-se aos poucos. As duas criaturas normalmente não se entendem, gênios difíceis.
Quem paga somos nós, porcos chauvinistas, que não teremos mais aqueles botões repostos na camisa colorida _aquela mesma, caríssimo Paulinho da Viola, que cobria a minha dor, na canção “Para um amor no Recife”.
Uma não repõe os botões por despeito e protesto contra a nova inquilina; outra não zela por razões ideológicas, ora, não pode incentivar o machismo.
Duas mulheres sob o mesmo teto, a menos que você seja um poderoso sultão, é jogo duro. Seja sogra, diarista, tia, mãe, irmã... E quando as TPM´s coincidem? Vixe, fica tudo tão difícil quanto atravessar o Mar Vermelho. E quando não batem os signos?
O xodó tira um móvel de um canto, a diarista muda uma planta de lugar...
A diarista esquece a teia de aranha, o xodó faz um apocalipse...
O xodó implica, a diarista começa a falar bem da sua ex, com quem também fazia uma batalha sem trégua.
Até o fatídico dia do juízo final: “Ou ela ou eu!”.
As duas dizem quase em uníssono.
Pior é quando você, jovem mancebo, fica na dúvida.
Largar a zelosa funcionária de dez anos?
Desgostar a cria da nossa costela que pode ser a mais bíblica e para sempre?
Amigos, vou aqui tomar uma gelada para esfriar todas estas dúvidas quentes demais para uma tarde suada de março.
Escrito por xico sá às 19h12
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TIPINHOS DE HOMEM OU CORRA LOLA,CORRA
Tudo bem, bravas fêmeas, os homens são todos iguais, já sabemos, blablablá.
Alguns, no entanto, são bem mais perigosos que os outros. Em mais um serviço de utilidade pública, este cronista de costumes expõe o seu varal. Eis alguns tipos, noves fora a categoria metrossexual (já devidamente batida) que merecem cuidados especiais:
Homem-bouquet – aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa, cheira a rolha, balança na taça, sente o “bouquet” da bebida... O tipinho não perde um programa do Renato Machado no GNT, entra em sites franceses do gênero, reúne os amigos para encher o saco com o tal bouquet... Mais uma advertência: o mesmo elemento costuma apreciar também o que ele chama de um bom jazz, uma “música de qualidade”... Corra, Lola!
Homem-hortinha _ Aquele mancebo que, ao receber as moças elegantemente para um jantar, usa o manjericão cultivado na própria hortinha que mantém no quintal ou na área de serviço. Cultivar o próprio manjericão não é exatamente o defeito do rapaz. O problema é que ele passa duas horas a discorrer sobre o cultivo da hortinha, os cuidados, o zelo... Uma amiga, coitada, conheceu um destes exemplares que cultivava até a própria minhoca usado como “fator adubante” da própria hortinha. Corra, Lola, corra, corra!
Homem-do-predinho-antigo _ Aquele sujeito que ou é gay ou é um metrossexual enrustido. E o pior não é habitar um predinho antigo. O que mais dói é quando ele pronuncia, como toda a afetação desse mundo, que mora num “predinho antigo, charmoso”. Você entra lá, leitora do meu coração, e avista logo umas revistas chiques estrangeiras espalhadas pela sala, tipo “ID”, “Wallpaper” e quetais. O cara entende de iluminação indireta, tem cada abajur, Deus mio! Corra léguas, Loolaaaaa!
Homem-Ômega 3 – Trata-se do camarada-saúde, preocupado em combater os radicais livres e encher o saco da humanidade com as suas receitas, dietas e bulas. Adora um salmãozinho, que ele pronuncia “salmon”, claro, como os mais frescos exemplares da raça.
Homem-ONG – O sujeito oenegê é o que há. Todo politicamente correto, benza-te Deus. Adora um abaixo-assinado, uma passeata, e está sempre morto de decepcionado com alguma coisa. Sim, ele acredita na humanidade, na responsabilidade social, no terceiro setor, na arte como redenção dos pobres... Se você reparar, leitora do meu coração, ele quase levita, de tão puro, de tão bom. Some, Lola, some que é roubada-mor.
Escrito por xico sá às 09h15
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