O SUSSURO DAS MENINAS*
Cabras safos & minas organizadas ou o contrário.
Pense.
Não pense.
Faça você mesmo(a) toda boa e bela besteira possível. A vida é grande, mas a safadeza é maior ainda. E isso é o tipo da coisa que ninguém ensina... ou tem na alma sebosa-soul ou nem dobra a esquina, nem rebola os quartos, nem faz assim gostoso, nem dança com os deuses do terreiro ou do puteiro, mesmo o puteiro imaginário de nossas cabeças, nem dança com os deuses que compensam a morte do viejo Serge Gainsbourg...
Pense, não pense, rebole, desça gostoso, malicinha futebol clube, como na faixa 4, Tatuí, voz de Karine Carvalho, ave palavra!, magote de cabra que não presta: letra de Rodrigo Amarante e música, pense, de quem nada presta, no bom sentido, é claro, de fora para dentro e de dentro para fora, donde aparecem, na maciota, reparem, a música de Rica Amabis, Dengue, Pupillo e Catatau...
Instituto, Nação Zumbi e Cidadão Instigado juntos para acunhar a mesma conseqüência, pense na sustança, vôte, e assim segue o disco todo, com a reunião dos melhores músicos dessa hora.
Na abertura do CD, além desses rapazes todos, imagine Leandra Leal, grande menina, sem se falar na atriz gigante, sussurrando “Certeza”, quem quiser que agüente.
“Enladeirada” é a negona gostosa da Thalma de Freitas cantando o fino da letra e da presa de Jorge du Peixe com música das criaturas fuleras supracitadas, mas vale dizer outra vez, os caras são PH de pharmácia: Pupillo, Dengue e Rica Amabis.
E o cabaré num pára.
Pense na safadeza de Junio Barreto em “Doce Guia”, a 3 do 3 na Massa, aqui com uma presa linda de Barra de Jangada, além muito além de Pernambuco e Jamaica, com usteds o maestro Bactéria (mundo livre s/a entre outros tantos universos). Sabe quem é a sabiazinha-laranjeira da parada? Céu, ela mesma, Nossa Senhora nos proteja d´uma tentação sem limite dessas!
Geanine Marques, outra mina, vixe, defende “Estrondo”, com a pancada lírica de Rodrigo Brandão e o mote-contínuo dos kabrones inventores desse disco, vou repetir, anote ai vagabundos: Pupillo, Dengue e Rica Amabis.
Agora entra um cabra safado de sustança e pegada luminosa na letra, “seu” Lirinha, lira do desejo, senhoras e senhores, faixa 6, “Lágrimas Pretas”, abrem-se as cortinas, com vocês Pitty... Ai, Lúcio Maia, é tua a guitarra dessa história, acunha!
A mais rodrigueana do disco é “Pecadora”. Canta menina Simone Spaladore.
É tanto músico bom que é difícil peneirar os meninos, agora vem cá Felipe S, Vicente e Marcelo Campelo, ai, segurem a responda de “Objeto”, safadeza da porra. Sim, quem canta é Nina Becker, outra musa da delicadeza da massa.
Já viram a dancinha de um tal menino China? Pensem num cabra safado. Aqui, na “Quente como Asfalto” o pitiguari entra com a letra.
E nunca acaba a oferta de boas coisas e safadezas idem. A voz de Nina Miranda em “Morada boa”, ave palavra, meu Deus, com vibrafone de Mauricio Takara e violão de Gui Amabis, fudeu geral!
“Certa Noite” é a pegada de Alex Antunes como letrista, escriba, o xamã da rua Augusta e arredores, na voz de Karina Falcão.
Lurdes da Luz diz “Sem Fôlego”, letra e voz, sentimento social clube vindo das mesmas traquéias e pulmões.
Aí chegou Carneirovsky, moral da guerra lírico-existencial, Rodrigo Carneiro, bardo do lendário Mickey Junkies, agora de vuelta e para sempre, que manda a letra para os lábios vocacionados ao prazer sem limite da atriz Alice Braga, meu Deus...
De perder o fôlego e as calças, um disco de fazer besteira com a moça em casa, de ouvir no i-pod e fazer boas besteiras nos becos e levadas, um disco de endoidar o cabeçote, um disco para saber a boa diferença entre uma música e a loucura que a música desperta, vem pra cá, minha nega, gritos, sussurros, delicadezas...
Eu fiquei foi doidim ao escutar essa bolacha!
Juízo não se compra.
*texto de apresentación do disco do 3 na massa + as meninas, já nas boas casas do ramo
Escrito por xico sá às 00h54
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O HOMEM, O MITO, A FRAUDE
Uma das coisas mais hilárias, para não dizer infantis, dos modos de macho e os seus be-a-bás, é o caso do falso don Juan. O homem, o mito, a fraude. Narrativas eróticas que jamais aconteceram à vera, apenas e tão-somente na garganta, riacho de muitos peixes grandes, do contador de vantagens.
A nossa mania começa logo nos verdes anos, na mentira de que não somos mais donzelos, e daí levamos ao túmulo, incorrigíveis e tarados Brás Cubas.
No princípio, é uma vergonha assumir a virgindade no meio de tantos machões que nos desfiam suas epopéias com o mulherio. Aí contamos também a nossa “vasta experiência”. Não somos nada bocós ou bestas. Segue a vida enfim, segue a vida, como decifra o velho Fred 04 no seu mundo livre sociedade anônima.
Um amigo relata no botequim que traçou uma flor do bairro ou a gostosa da firma; ouve o coro ridículo carregado de chope, caldinho, torresmo e testosterona à milanesa: “Comi muiiito!”
O falso don Juan é a doença infantil e incurável do machismo. Até de quem não precisa cantar loas do gênero pelo meio do mundo perdido de meu Deus.
Reparem no grande Lima Duarte, o Sassá Mutema, o homem, o mito, a soma de tantos personagens encafifados no imaginário dos Psitis, os brasileiros flatulentos e escravos dos sofás televisivos.
Pelo que disse, nas educadas entrelinhas, a atriz Maitê Proença, em entrevista esta semana na Folha de S. Paulo, o bravo Lima, demasiadamente humano como todos os dublês de don Juan, também andou pecando por pensamentos, palavras, obras e omissões.
A boa repórter Laura Mattos provoca: “Apesar de temas duros no livro, não falou sobre algo já público, sua relação com Lima Duarte.”
No que Maitê, autora de “Uma vida inventada”, autobiografia fictícia, como todas, que acaba de lançar pela editora Agir nas boas casas do ramo, responde com a elegância sincera com a qual desfila na passarela dos nossos corações:
“Imagina se fosse contar todos os amores, seria outro livro, do tipo que abomino. E, apesar de o Lima contar a história do jeito dele, é um homem brilhante que vive no mundo da fantasia. Gosta de florear a realidade. A versão do Lima é uma, e a minha é a história de uma amizade muito importante. Enquanto meu pai morria, fiz uma novela ["O Salvador da Pátria", 89] em que a gente tinha uma relação de amor. A única pessoa para quem contei sobre o processo da morte do meu pai, fora meu marido, foi o Lima. Criamos esse elo. Gosto muito dele, o resto é fantasia de sua cabeça. Mas deixo, o que vou fazer? Qual é a importância? Deixa ele sonhar, colorir a vida, não me ofende, pode contar como quiser.”
Sim, deixa o menino brincar, como cantava o Jorge Ben das antigas, que mal faz um delírio de macho, essa praga inevitável!?
Se bem que, em alguns episódios, é chato para as moças. Não digo pelo velho, careta e surrado “vai ficar mal-falada” na firma, no bairro, em toda cidadela. Digo pelo que pode manchar a imagem da nega quando o Pinóquio metido a don Juan é a maior sujeira, como se diz na gíria corrente, moralismos à parte, noves fora zero.
Moral popular da história: todo homem, assim como todo pescador que se preza, tem sempre uma aventura maior que a vara.
Escrito por xico sá às 10h20
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