DEDINHO DE PROSA, POIS, POIS
Ops, era chegada a hora. Mesmo com todo desleixo, com recomendação médica não se brinca.Ai avexei-me, mesmo precocemente, para viver, na pele, a minha segunda experiência do gênero. Segura na mão de Deus e vai, encorajei-me, velho e bom Moacyr Sclyar, que louvou, na condição de médico, o meu primeiro relato sobre o mesmo tema. Sempre com a mesma levada: fazer campanha, num país em que o câncer do gênero mata tanto quanto a violência, ao ouvido e corações dos mancebos, vamos nessa!
A primeira vez, muito antes dos 40, havia sido tão rápida e indolor que resolvi, agora, senhor dos meus quarenta e tantos, tirar a contraprova, o eu profundo e os outros eus. Chegou a hora de, na margem do rio Piedra, como diz Pablo Conejo, sentar e llorar. Pois, pois.
De lambuja, pensei, ainda sirvo de agente encorajador, tô na área como um Romário diante do milésimo gol, num país de altos índices de câncer de tal natureza, repito e advirto, aos machos que tremem diante de um rápido toque nos seus indevassáveis fiofós, nos seus oitis..., como no glossário da minha nobre origem.
Lá vamos nós, destemido cavaleiro e sua orgulhosa retaguarda, ao respeitável e imparcial proctologista. Para não me acusarem de escolha fraudulenta _poderia eleger o doutor pelas medidas dos indicadores, fura-bolos e cata-piolhos_ promovi um sorteio do médico, entre vários do meu convênio, durante nobre sessão no botequim.
Pereira, amigo tão macho que usa dois sabonetes durante o banho _um para a frente e outro para a assepsia traseira_, benzeu-se. “Não faço um troço desse nem morto, nem a pau”, salivou testosterona no ambiente. Separado da mulher da sua vida por causa de uma tímida e educada tentativa de fio-terra, Pereira acha que não pode haver a mais remota comunicação, nem mesmo via sabonete, entre as suas partes pudendas.
“Começa assim a pouca-vergonha, na própria higiene pessoal”, apelou, enquanto estalava mais um torresmo no dente de ouro que substitui o canino.
Que se dane a retaguarda do atraso de Pereira. Chegou a nossa hora lá no consultório. Miro as mãos do amigo de branco... E confesso, leitores: não poderia ter sorteado médico mais bem dotado nas suas falanges, falanginhas e falangetas. Vixe! Ele pôs civilizadamente a luvinha. Esperei, resignado.
Só lembrei, ali, de novo, na bucha, da velha e surrada piada, na qual um médico indaga o cliente: “Sentes alguma coisa?” Ao que a criatura alvejada solta um delicado sussuro com sotaque gaúcho: “Sinto que te amo!”.
Ora direis, nada de ver estrelas bilaquianas, como queixam alguns. Sensaçãozinha de nada. Pena que tantos machos empedernidos morram por falta desse simples dedinho de prosa com a medicina. “Volte sempre”, ainda se despediu o doutor. Também não carece exagerar, né, meu amigo?!
Escrito por xico sá às 04h13
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