COM OU SEM GELO?
se tenho usted, eu fujo ou vejo um Buñuel enroscadinho na cama, só para apanhar os sonhos, os sonhos que não passam de rolos de filmes não-editados de cineastas mortos... a sobra de las películas, fuleiras ou clássicas, se tenho você, eu tomo uma e saboto ou tomo outra e me devoto feito um santo sujo e priápico em câmera lenta, sem você eu pego uma cadela chapada e bêbada, como na canción de fred 04, se tenho você quatro garrafas de vinho, se não tenho, oito e meia, doze, pelo menos, sozinho, se tenho você, eu não tenho direito, se tenho você lusco-fusco, se não... melancólico abajur minguante de la existência, se tengo usted portunhol selvagem, se no tengo... um tango argentinho me pega bem melhor que um blues, com usted fecho os olhos só para ouvir profundamente o barulhinho no elástico da calcinha, sem usted rock´n´roll nas alturas, iggy pop como auto-ajuda, um galo sangrando na rinha, se colado à sua pele... uma foda-de-motel-barato com trilha de Sade, love is stronger than pride, com usted ressaca braba, sem usted vomito cascas do tomate d´alma, com usted meu romance interminável, sem usted cabaleiro solitário em busca do sol poente, o faroeste de sempre, e o mesmo mantra no coldre: se a vida dói, drinque caubói... sobretudo viver não passa de uma pergunta automática de boteco: COM OU SEM GELO?
Escrito por xico sá às 17h00
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OLHA PRO CÉU, MEU AMOR, VÊ COMO ELE ESTÁ LINDO
Caballeros Solitários rumo ao sol poente chegam a São Carlos, SP. Hoje, terça, 24, dia do glorioso São João, 20h30, fogueira, balões e dois dedos de prosa no SESC, dentro da programação PAPO DE LETRA.
Este cronista que vos sopra a nuca conta suas bromas e narra suas melhores e mais sinceras mentiras. De como beber mucho e escrever socialmente, entre outras curiosidades e cutucões de auto-ajuda explícita, periodismo picareta, catecismos e gonzolendas. Enfim, o homem, o mito, a fraude. Apareçam, amigos do interior. O quentão é por conta da casa. No comando dos trabalhos, José Luiz (Realejo)Tajan.
Escrito por xico sá às 13h53
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SOBRE HOMENS E BACURAUS
Amigos e amigas, vai saber lá o porquê das somas completas dos inconscientes, mas num encontro na última quarta-feira, com Fred 04, no clube Clash, em São Paulo, falamos de tudo, principalmente da importância ou da desimportância do ônibus, o velho busao, o busão-blues de todas as esperas e bacuraus perdidos madrugas adentro.
Até criamos, na utopia mais avexada, um movimento cuja milhagem é a narrativa, o homem e a mulher em pé na parada. Pense. Tem gente que gamou, casou e fez filhos a partir dessa hora, né? Mãozinhas dadas no mesmo assento, zolhinhos gastos com a mesma paisagem a caminho de casa, ela descendo e a gente, cavalheiros no último, beijando a mão e a recebendo na rua, PRINCESA de todos os meios-fios e calçamentos!
Só vale na vida o que se conta de pé, o resto é alcova e fuleragem, fuleragem enquanto vingança do Nordeste, o melhor dos mundos, a nossa sabedoria particular, a nossa linda lição de existência tão grande quanto a sabedoria de Nietszche.
Pense numa peleja, pense num clássico da filosofia a perder a neve ou a miragem de Canindé de vista.
O que dizer, que balãozinho sobre nossas cabeças de eternos gibis e quadrinhos?!
O que se diz nessa hora, amigo?
Já passou o CDU/Várzea?
E o Radial/CDU? Donde CDU vem a ser Cidade Universitária, sigla e destino da minha amada e querida CEU, a residência da UFPE, donde habitei o quarto 101 com meus amigos de Carpina e outras zonas de matas e sertões afora.
A gente lá de pé cubando o movimento.
Pense num suspense.
Nada mais hitcockiano do que um ônibus dobrando uma esquina.
Pense numa espera!
Às vezes deitado e bêbado no cimento do Bar Savoy, sem um centavo no bolso e com o azul desbotado sem poder sequer apertar a mão do poeta Carlos Pena Filho, o maior simbolista brasileiro de todos os tempos, que já havia partido desta noutra linha da mão e da vida.
Sorte era a generosidade 24 horas de Jaci Bezerra, Tarcísio 7 e Alberto da Cunha Melo, que me tiravam da fome e ainda me davam o delírio da poesia e da comida.
Jaci, 7 e Alberto, além de grandes por si mesmos, vixe, são os T.S. Eliots, melhor, são os Walt Whitmans do meu estômago quente na chegada ao Hellcife, linha Crato via Princesa do Agreste, salve salve, Deus inapalpável, estes homens de carne, amor e osso.
Estes, entre outros, me revelaram a certeza do poema como sustância da humanidade.
Assim aprendi sobre poesia e homens, mas, como eu ia falando, ja passou o CDU/Várzea?
Pense numa espera de madrugas tantas. Pense até o pescoço entortar, pense enquanto passa boi, passa boiada e nada pra Caxangá, miséria humana, vida de gado, e quando dobrava da Madalena rumo ao Cordeiro o cheiro de galeto a me encher de fome de tudo, como reza a poética de Jorge du Peixe, meu ídolo.
CDU/Várzea, o destino, era o que este cronista, eterno pedestre, graças a Deus, indagava, ali dormindo no batente do cimento frio do bar Savoy, avenida Guararapes, Recife, anos um, nove, oito, zero, 1.980.
Uma forma de contar a vida e a possível luta de classes por intermédio das histórias aquém e além da catraca. Passa boi, passa boiada...
Escrito por xico sá às 22h59
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