O QUE QUEREM AS REVISTAS FEMININAS?
As revistas femininas muitas vezes nos assustam, amedrontam ou simplesmente nos afrouxam a mais irônica das gargalhadas. Ando viciado nelas. A patroa já não agüenta mais me ver fugindo com a sua pilha de almanaques para o banheiro.
Eu não largo o meu vício.
Aprendemos sempre alguns bons truques com estas sábias brochuras. Das balzacas em chamas da “Nova” às Lolas modernas da TPM –Trip Para Mulheres.
Às vezes nem carece folheá-las, basta uma lida nas manchetes de capa sob o sol na banca de revistas.
Fico meio assombrado quando vejo que descobriram uma nova posição para o sexo. Como se não bastassem as milhares de combinações do Kama Sutra e de todos os outros compêndios.
Tenho uma baita cãimbra só em pensar nas tais descobertas.
Tenho medo das leitoras de “Nova”, confesso a minha fraqueza, amigas. Elas têm mais fogo guardado nas entranhas do que las chicas do óteeeeeemo romancezinho de Almodóvar (Dantes Editora); elas estão descontroladas, elas são a perfeita mistura de cachorras do funk com afilhadas de Balzac.
O vício das femininas. Chamadas de verão: novos óleos eróticos, novos jogos, novos fetiches,vixe!, os mais poderosos cremes antirugas e anticelulites...
Mas o que dá preguiça mesmo, só de pensar, são as exigências das novíssimas posições. Daquelas que dão câimbra só de vê o desenhozinho didático, tipo “faça você mesmo”, na página.
Houve um tempo que estas revistas eram bem menos atrevidas. Repare só nestas chamadas de capa das antigas, priscas eras:
“Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo.” (Revista Claudia, 1962).
“A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa”. (Jornal das Moças, 1965)
Tem mais, repare só que pérola:
“A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas”. (Jornal das Moças, 1959).
Nem o mais machista dos anúncios de cerva chegaria a tanto.
E o chauvinismo das redatoras _sim, a maioria era escrita por mulheres_ das antigas não ficava só na bebida. O pior vem ai:
“Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa.” (Jornal das Moças, 1957).
Hahahahahahahaha.
Querem mais um mandamento de fé? Então lá vai:
“Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas”. (Jornal das Moças,1957).
E este aqui: “O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. ELE é quem decide - sempre!” (Revista Querida, 1953).
Agora, juro, vou encerrar, que assim já começou a virar galhofa, escárnio... Essa última chamada de capa é de chorar:
“Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite espere-o linda, cheirosa e dócil.” (Jornal das Moças, 1958).
Chega!
Escrito por xico sá às 16h31
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