ME PEGO PENSANDO COMO
Como ela vem. Como está sendo o seu banho exatamente agora. Como ela ta cheirosa, mas que sue um tiquinho no camiño para dosar na conta, nossa! Como ela se olha no espelho na hora de se trocar. Como. Como ela fez o barulhinho do elástico da calcinha, pleft, a mais linda onomatopéias das moças. E nas vitrines da rua, como será aquela rápida mirada, extrato para simples conferência demasiadamente feminina. Como ela brigou com o cabelo hoje, porque em alguns dias os cabelos teimam em desobedecer às mulheres, sejam eles como forem. Como ela encarou o armário. Como enfiou a colher no papaia logo cedo antes de todas as acontecências. Como ela blasfemou contra o universo. Como ela disse “ai," ao teléfono, "mãe, num se preocupa, eu já estou grandinha”. Como os homens a olharam no percurso, que os homens do andaime não assobiem um “gostosa” hiperbólico, sob pena de ela se achar cheinha deveras, mas que assobiem alguma coisa, que não pequem por omissões – ah, não, são homens de verdade, não trabalham com elipses. Como ela deu aquela ajeitadinha nos peitos, agora já recuando para o começo das ações, o espelho. Como ela roçou um lábio no outro para corrigir o batom e dosar na maldade. Como ela decidiu por sandálias e não por sapatos ou tênis. Como ela pôs o rosto na janela para ouvir o homem do tempo. Como ela deu aquele saltinho na rua de moça feliz por hoje. Como ela achou que o celular tocava dentro da bolsa só porque eu pensava nela e não era nada pouco.
Escrito por xico sá às 20h46
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NA BEIRA DA PISCINA DA AUGUSTA
Pense num DJ que mal sabe mexer nos botões de uma mesa de som? Soy yo, la garantia de fulerage na tertúlia. Na companhia mega blaster Siboney de Maria Lutterbach, boto um som (como se dizia no meu tempo) hoje no Tapas, noite do povo da Mojo Books, aqui na Augustas Place. Discotecagem com lo mejor del portuñol selvagem. Nunca toquei por não enxergar os botões ou os vinis, mas agora de óculos nuevos e doze margueritas después...me aguardem! Serão guarânias, boleros, cumbias anticlericais para acordar o Papa, cha-cha-chas, syboneis, La Lupe, mariachis, Wander Wildner y Elvis em sua fase mexicana... Na oportunida, relançarei, pela zilhésima vez, meu faroeste babilônico "Caballeros Solitários rumo ao sol poente" (R$ 15).
Dominando el mundo: o portunhol selbagem vai à pista aqui em San Pablo hoje e amanhã em Floripa, com don Douglas Diegues y el Domador de Yacarés tocando fuego na isla encantada com la miesma propuesta.
O selviço: Mojo Club, 21h. Hoje, 20/11, quinta feriadona Tapas (r. Augusta, 1.246, Consolação).
Escrito por xico sá às 14h34
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DA SÉRIE MICRO-EROS
O flagrante delito freudiano
-Meu filho, que coisa feia:
complexo de Édipo com a mãe alheia!
Globalizada, pero no mucho
Beijo grego, massagem tailandesa , espanhola... e no oral, tremenda monoglota.
Cartilha ou Reforma pedagógica
Vovô Viu o Viagra.
Classificados –decifra-me ou te devoro
Ju, S/BB gg. A/O, c/bj, dom.h/m/. aces, fant. R$ 50, fç pq g.*
(*Seios e bumbum grandes, anal, oral, dominadora, homem,mulher, com acessórios e fantasias, faço porque gosto).
Escrito por xico sá às 10h59
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DIÁRIO DO ENTORPECIMENTO CAP. XIII, VERSÍCULO UM ZILHÃO E NOVECENTOS
...flores depois do baile, ainda na calle... enrosco no taco, mais um tango para gastar a manteiga que seria dos futuros croissants... ela aumenta o “sonic youth”, você gostaria de pensar que é imune à essa coisa que O POETA registrou em cartório, pobre bebê, com nome de Amor, Amor da Silva Xavier, seja homem, monstro ou mulher. Amor Smith da Conceição, Amor burguês com sobrenome e bons modos, pra cima de mim, não, não adianta deixar o bebê Amor na porta, nem na lata do lixo, muito menos disfarçado no cestinho de Moisés que escorre todo dia no corregozinho aos pés do grande Jordão da culpa, do grande oceano das ressacas e de todos os afluentes do tsunami-sorry.
Nem vem que não adianta amplificar o “sonic youth” para competir com o sabiá histérico que bica os farelos da manhã de domingo quando eu ainda cismo com as merdas que cagamos um pro outro ontem à noite sobre o jornal da nossa gaiola.
Mi corazon, pobre involuntário, ainda recita algo como a canção do beco de william blake, doces sorrisos da passagem balançam sobre meu terno deleite da pista, a vida-bicicleta, aros e rodas, pede sussurando com jeitinho, implora: se parar cai, mi viejo safado, se vais envelhecer q seja sem nenhuma dignidade, as flores na garrafa torta de vinho guardam nosso sono de costelas-araldite, sueños-super-bonder, peixinhos vermelhos, betas do mangue q virou calçamento, rumble fish no aquário da melhor das nuestras noches desde que anaxágoras, esse proparoxítono das antigas, descobriu as fases de la luna caliente, dorme meu anjo que teu vira-lata, perro callejero, vigia as fronteiras da suposta realidade, é, esquece, esqueço, se não fosse amor já era... nem tinha almoço de domingo.
[De mi libro "Tripa de cadela & outras fábulas bêbadas", ed. Dulcinéia Catadora/ 2008, R$ 5, contos & declarações de amor para atravessar um deserto inventado].
Escrito por xico sá às 02h44
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