MISS CORAÇÕES SOLITÁRIOS ATIVA E OPERANTE
Estimada, idolatrada e consagrada Miss de todos os Corações, bálsamo dos Aflitos – não os geraldinos e arquibaldos do Clube Náutico Capibaribe, de volta às glórias -, mas aqueles que padecem, frágeis almas penadas, de todas as agonias e aperreios amorosos. Como este mancebo que vos fala, nem bofe nem vadia, nem Esparta nem Atenas, uma coisa assim meio anfíbia aqui das bandas do Guaíba - embora tenha ligações sentimentais com o Beberibe. Mas chega de embromar, gloriosa Miss. Direto na ferida, o que tenho a dizer é simples: tô arrasada, vazia mesmo, nada orna, me sinto, como li num volume de Will Self (“Cock & Bull, Histórias de Phadas & Phodas”), uma verdadeira parasita de emoções. Apenas sugo as emoções alheias e nada fica aqui dentro, nem mesmo amor de pica, como reza a sabedoria popular mais escrachada. Que fazer, minha guia genial dos arrasados? Voltar a ser bofe, continuar nessa luta renhida de bonequinha de luxo, virar travesti de vez, operar, em que diabo de situação ou sexo andará a minha cara-metade? Enfim, dá-me uma luz, quero luz! Com a devoção de hoje e siempre, Anfíbio do Guaíba, POA, 30 de julho do corrente Resposta: Menina, menino, seja lá que diabo for tens o meu respeito e calor... Que rebuceteio d´alma te meteste, criatura! Mas chega de aflição, amigo é pra acudir outro. Gostei foi desse expressão “parasita de emoções”. Que coisa fina, hein, nega, nego, sei lá!? Para sair desse grau zero, querido anfíbio, não há remédio na prateleira, a não ser o tempo, um bom trabalho de feitiçaria e a corrente dos dias e da espera. É engraçado como te pegas com a mesma Síndrome do Príncipe Encantado de todas as moiçolas de família. O bom é que para um anfíbio pode rolar pelo menos um sapinho terno e sentimental, daqueles de várzea, que já está de bom tamanho, não é, biba? Mas, lembra-te, cobra que não anda não engole sapo. Te joga na saúna mais próxima e deixa o cheiro de eucalipto dilatar os poros e desentupir as veias desse coração parasita. Com a bênçao e as flores brancas de sempre, Miss C. Solitários.
Escrito por xico sá às 13h17
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DA PONTUAÇÃO AMOROSA ETC
(Peço um naco de paciência a quem já leu, mas, atendendo a pedidos -e de homi, veja só!- republicamos mais uma das antigas do Carapuceiro.Como muitos novos leitores nao viram, tá valendo): Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final. Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...” Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente. Sem reticências... Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita. O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!! O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor. Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas. Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro. O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada. Nem no Crato...nem na Suécia. Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa. Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava. O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim. O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo. O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente. E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.
Escrito por xico sá às 12h06
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FAZ DE CONTA QUE SOU O PRIMEIRO
Hoje, 11, é dia do Garçom. Em nome (e a pedidos) de um destes luxuosos profissionais que tanto me servem de bebidas, conselhos e sabedorias, republico esta singela crônica: Amigos, antes de tudo um brinde, salve, salve! Dito isto, vos apresento o nosso convidado especialíssimo. Sim, Ailton não é apenas um bom garçom, o que já é muito para a humanidade. O cara é especial. Criatura abençoada. Especialíssimo. Do tipo que cria laços de estima e consideração com os fregueses. Do tipo que ouve, aconselha, amansa os traídos, acalma as mulheres de bêbados infiéis, bota ordem na casa, devolve uma certa paz ao universo. Melhor ainda, Ailton é do tempo em que garçom sempre sabia o resultado do futebol. Do tempo em que torresmo não fazia mal, do tempo em que os homens não tinham medo da sorte nem do colesterol. Toda essa “sabença”, como ele trata a soma de sabedoria com experiência, é servida de bandeja à freguesia. No boteco, ele é tudo ao mesmo tempo: sócio-proprietário, caixa, segurança e DJ _e só toca vinilzão de samba antigo. “Oh, minha romântica senhora tentação/ não deixes que eu venha sucumbir/ neste vendaval de paixão”. Essa toca até furar o disco. Principalmente quando tem alguém chorando as pitangas amorosas. Entre tantas serventias, esse negócio de amor e dor é com ele mesmo. É mestre, rima e solução da parada. Eu mesmo já fui perdidas vezes consolado pelo cara. Dor de corno, daquelas que não passam com cachaça ou aspirina, é com ele mesmo. Vai no ponto, na veia, um neurocirurgião do amor. Primeiro o afago, a compreensão e o ouvido ao alcance do freguês. No fundo musical, põe logo o vinilzão com “Peito Vazio”, de Cartola _``Procuro afogar no álcool a tua lembrança/ mas noto que é ridícula a minha vingança...” Dois, três conselhos depois a gente está pronto para outra, digo, outro chifre. Numa dessas sessões “macho em crise”, Ailton me deu uma dica genial. Notou, sensível que é, a minha dificuldade em descolar uma nova costela, uma nova deusa para enfeitar o meu pobre muquifo em desalinho. Uma dica importantíssima. Simples, simples de tudo, até boba, mas de uma sabedoria e tanto. Uma beleza de estratégia. “Seguinte, meu amigo, chega de saudade... Senta aqui, nessa primeira cadeira do boteco, que a vida vai sorrir pra ti”, disse, arrumando uma mesa bem na calçada, quase na rua, de frente para o crime. Sem deixar a bola cair, emendou: “Ora, compadre, todo dia tem uma mulher que sai para o bar, revoltada, muito revoltada, e diz para ela mesma: ´Hoje eu vou dar pro primeiro que encontrar pela frente!” Desde então procuro sempre ser esse `primeiro´ homem estrategicamente bem localizado que pode tirar proveito, com toda delicadeza desse mundo, da fúria justa e caseira de uma mulher.
Escrito por xico sá às 13h57
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