ARMADO, EM DEFESA EXPLÍCITA DO PATRIMÔNIO NACIONAL
Ora, ora, ora, macacos do Jardim Botânico me mordam diante de tamanha bananice. Deu na Reauters, para espanto até do meu gato Menezes, que lambeu os bigodes, ao longe : “A sensualidade e a beleza da mulher carioca não poderão mais ilustrar os cartões postais do Rio de Janeiro. A Assembléia Legislativa do Estado aprovou nesta terça-feira um projeto que proíbe a veiculação, a exposição e a venda de cartões postais da cidade com fotos de mulheres de biquíni.”
Como diria o velho e bom Haroldo Barbosa, roteirista do “Balança mas não cai”, entre outros planetas humorísticos: “Ri, macaco, ri!” No que ele mesmo completaria, ligeiro: “O macaco está certo!”
Era só o que faltava por estas plagas. A autora do projeto é a deputada Alice Tamborindeguy, tucana de pedigree. Fala, dona Alice: “A exposição de uma imagem feminina de forma apelativa, totalmente dissociada de qualquer campanha planejada, que só tem servido à degradação da imagem do nosso Estado e do nosso país, contribui para que façamos parte da lista de países que exploram o turismo sexual”.
Ainda causou lá fora, na balança comercial, um prejuízo do cão ao latifúndio dorsal dos tristes trópicos, sempre lastreado em moedas da mais finíssima mestiçagem: “Ao colocar nos cartões postais recortes de figuras femininas em trajes sumaríssimos, geralmente de costas, essas pessoas prestam um desserviço ao nosso país".
Ora, se o sexo pago não for com meninas menores, que mal faz? Quer acabar com a mais antiga das profissões? A Embratur passou séculos vendendo só bundas lá fora, agora querem acabar com as bundas por decreto, na canetada,como se todas as popuzadas virassem fêmeas-tábuas de uma rubrica para outra?
O cinema só vendeu bundas, Jorge Amado só vendeu bundas, o samba _fecha na prosxxxhaska!_, idem ibidem, o funk, vixi, cada gostosa, cada cachorra, coisa mais linda, é ela que passa, no livre balanço a caminho do morro, a caminho do mar...
Como diria o bom velhinho Ricúpero, ex-ministro da Fazenda, lembra?, naquela entrevista da Globo que vazou o off pela parabólica: “O que é ruim a gente esconde, o que é bom... a gente mostra!”.
Ora, ora, ora, a bunda continua sendo a nossa pièce de resistence, que mal faz? É a bunda que inclusive encobre a guerra, quer dizer, a chacina premeditada do Estado contra a favelândia, que resiste como pode, apesar das rosinhas, apesar dos cesares.
Ora, ora, se ja venderam até o subsolo pátrio, as jazidas, a vale, por que não a bunda como nosso último tesouro de sierra madre, nosso patrimônio natural de fato e de direito? É, velho e bom Monteiro Lobato: sobrou apenas a bunda e a Petrobrás. Tu ficas com o petróleo, tá combinado? É, podiscrê, em matéria de bunda sou nacionalista, pego em armas, faço uma nova batalha de Itararé!
Ora, ora, ora, dona Alice e seus políticos chatos, arautos da moralidade no país do bundalelê, deixem pelo menos as bundas das moças em paz; nossa eterna vanguarda sempre será, dialéticas à parte, nosso glorioso derrière!
Escrito por xico sá às 02h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|