RÁPIDA PASSAGEM DE SOM, TESTE, TESTE, PARA UM ROMANCE
Quando entregamos nossos pangarés paraguayos para o flanelinha perneta pastorear, el cantante entoava algo como “milonga para um hombre de pocos dentes” , pedimos uma garrafa de uísque que tivesse a mesma índole dos nossos bravos cavalos, Juanito Caminhador, creio,falso como a gente, o de sempre, e una chica hablando um virtuoso portunhol salbaje nos mirou com los ojos mais andaluzes das pradarias nocturnas deste deserto reservado, pelo menos esta noche, aos fuertes e destemidos.
Atiro-me aos seus pés como um romeiro louco que acaba de presenciar o terceiro milagre de Fátima. Como um homem-bomba que acaba de preferir esta cria isolada da sua costela a todas as virgens que teria direito logo depois de explodir contra o alvo apontado pelo dedo de Alá. Ela cai sobre o palco improvisado naquele decente templo do punk-brega. Luzinhas coloridas, daquelas de Natal mesmo, Jesus Cristo voltará?, piscam no pedestal do microfone, aleluia. Os cabaleros que me acompanham cospem fuligem e se preparam para o pior. A inveja testosterônica exala de todos os subacos del mundo.
Aqueles olhos ciganosos têm dono.
Escrito por xico sá às 10h45
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OS DOMINGOS SÃO TODOS IGUAIS e/ou ADOLFO BIOY CASARES
Clarah diz que domingo, que tédio; melancólico, eu diria, tenho feito merdas e apostado demais no caminho do excesso; ressaca da existência e roxo de tantos baques e nados no seco; Camis sonha com o Taiti ou um mato qualquer para fugir um pouco da jaca babilônica; escrevo uma carta ao meu pai, que mora longe e sem telefone, mas para nunca ser enviada, uma garrafa de lágrimas é uma garrafa de lágrimas é uma garrafa de lágrimas; preciso conhecer a casa nova de R., na semana que passou fizemos cinco anos de amor & amizade; Miss S. está num sítio e diz tem Truffaut às dez, na tevê; assistir ao mesmo filme, um longe do outro, é como ver la luna caliente, está em todas as partes, é só esticar a cabeça aos céus e pronto; o horóscopo diz que Vênus em Leão garante “dia gostoso e animado ”; Clarah acha que tudo é só falta de dormir de conchinha; A. fez aniversário e eu por recomendações clínicas pouco fiz; a morena que tem cheiro de maré mergulhou agorinha numa piscina azul no agreste; me aquieto apenas com as taças de vinho recomendadas pela OMS; releio as histórias de amor de Adolfo Bioy Casares; se der sorte, no meu edredon que parece o mar artificial de Fellini, morrerei docemente.
Escrito por xico sá às 01h18
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