ROMANCE
Não sou Quixote nem meu amigo aqui ao lado, no seu cavalo igualmente paraguayo, nas pradarias deste deserto metropolitano de uns 12 milhões de habitantes, poderia ser tratado como Sancho.
Mas é como se fosse, se não não seria romance.
Dulcinéia aqui é fácil que nem empurrar bêbado em ladeira.
Dulcinéia aqui já nasce com um ponto debaixo de um poste ou numa esquina da supracitada rua Augusta.
Dulcinéia tenho muitas, embora não pareça, a maioria em troco de patacas, as outras, sei lá, por vício, sorte, refeições e belas sestas nas quais sonhamos filmes e lhes conto recentes crimes dos jornais, além de ler para elas todas as previsões astrológicas do mês, com direito a interpretações particulares da lua em Vênus, a lua não sai de Vênus nos horóscopos que narro.
Dulcinéia não deixa de ser bela por ser fácil, muito pelo contrário.
Mas o quixotesco aqui no deserto de Carençolândia, sina de todos os cabróns, é ter uma Eva Futura, costela no bafo.
Escrito por xico sá às 22h32
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