EXTRATO PARA SIMPLES CONFERÊNCIA DUM ROMANCE QUE SE EMBRIAGA
Um homem é capaz de esquecer seu vira-lata mijando num poste, mas jamais perde uma mulher de uma noite para outra. Ela fica impregnada nas retinas e é vista a cada instante nas ruas, como uma miragem ou um grão de areia nos olhos de um cavaleiro que atravessa esse enorme deserto de Carençolândia.
Assim a mulher roubada do gigante tatuado cavalgava em mi corazón de mierda.
Aqueles ojos... Deve estar na Praça Looservelt, tomara, vendo uma peça guiada por Bortolotto, com Picanha de protagonista, e iluminada por Deus, gracias.
Pode estar abraçada àquele display de Elvis, tamanho natural, iluminado com as mesmas luzinhas do show do cantante Wander, ali bem perto, num boteco freqüentado pela Miss Girotto, uma moça que desenha lindos vestidos, aposto.
Será a mulher roubada do gigante tatuado, olhos andaluzes, a Marcinha?, o travesti mais lindo desse nosso possible oeste? Porra, Bortolotto, não me planta chifres e dúvidas na fronte adonde o estrume favorece.
Perdi na sinuca com virtuose. Derrotas nas quais sempre matei bolas fantásticas, tacadas incríveis mesmo, sempre fui desse time, odeio bolas fáceis, e tudo o que puder fazer para metê-las de forma sofisticada, labiríntica, faço.
Jogo sinuca como uma mulher quando pensa. Nunca simples.
O guarda-chuva, vide lista de páginas deixadas para trás quais comboios ultrapassado en la carreteira, vocês não acreditam, havia sido herdado de Jânio Quadros, presidente desta República Federativa que bebia mais do que todos nós juntos, aquele que renunciou por acreditar em elementos sobrenaturais. Uma história dos meus tempos de repórter de política. Ele estava a morrer. Eu de plantão na casa de Tutu, su hija querida. Entonces... Desaba um temporal e ela me cede o tal guarda-chuva, inglês, quase uma arma, de primeira.
Voltemos às perdas: adoro esse título “Lua na Sarjeta”. Já estou de posse de um novo volume, comprei no sebo do Bactéria, ou terá sido no subsolo ali do Adriano, naquela passagem entre de um lado a outro da Consolação? Agora recuperei a velha edição da Brasiliense, nobre editora que já foi desta para o cemitério gutenberguiano onde são enterrados todos que mexem com papéis impressos, inclusive os catadores de lixo, os editores e ex-editores, para adonde iremos todos que mexemos com atuais e ex-libris.
Margarita ficou na minha vida por uma noite, um dia e algo em torno de 150 reais, ê Machadovsky superfaturado DA PORRA.
Escrito por xico sá às 07h03
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MAIS UMA MULHER HONESTA QUE SE VAI -FIM
Ela me pediu para contar um pouco sobre a vida daquele homem que, de uma forma ou de outra, nos unia naquela noite.
Tirei uma onda de narrador de documentários chatos,imitando a tonalidade e o ritmo dos locutores da Discovery Channel: o escritor Henry Miller nasceu em 1891 na gloriosa cidade de Nova York, nos Estados Unidos da América, viveu no Brooklyn, foi embora para França, onde comeu, bebeu e viveu, apesar da miséria, em Paris... Depois voltou para os EUA, abrigando-se em Big Sur, Califórnia...
_E você, o que você tanto escreve?
Ah, escrevo por encomenda, costuras para fora... E nas horas vagas leio esse cara e morro de inveja.
Ela me olhou com piedade.
_Vem cá, meu amor...
Aquela palavra amor saída da boca daquela linda puta me fez tremer o coração.
Fiquei meio perdido, andava muito carente, e, só me restou pedir que ela lesse mais Henry Miller para o seu devoto aqui:
“Entregar-se de maneira absoluta e incondicional à mulher que se ama é romper todos os laços exceto o desejo de não perdê-la, o laço mais terrível de todos.”
_Eu amo esse homem_ ela disse de novo.
Seus olhos estavam tão vermelhos que era impossível saber a cor de verdade. A maquiagem já borrava. Ela renovava o gloss a cada segundo, como num vício obsessivo. Lábios mestiços, grossos, meu Deus.
Acendia um cigarro atrás do outro. Pegou “Dias de Paz em Clichy”, outra reedição brasileira, mas leu somente a orelha do Roberto Muggiati, tradutor do livro relançado pela José Olympio.
_Odisséia priápica?, o que é isso?
Ah, ficar de pau duro a vida toda, a chamada paudurescência, eu tentei uma explicação possível, que me desculpem, respeitáveis leitores desse blog-família, a grosseria homérica.
Dormimos juntinhos, conchinha, abraçados, pés colados nos pés, como se, desde o primeiro olhar triste, nossos corpos já entendessem a linguaguem dos nossos espíritos livres... e unidos, naquela noite fria e violenta, por Henry Miller.
Ela acordou com aquele sorriso que atinge até nossos testículos, como HM descreve uma moça no citado “Sexus”.
Almoçamos no dia seguinte, arroz, feijão, bife, comida de três acordes, punk, sem requintes bestas, e desde aquela sobremesa, aquele café, procuro, em vão, aquela criatura pelas cercanias da Augusta. Mas essa história, velho Miller, você sabe muito bem, não é uma história triste.
Escrito por xico sá às 01h45
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