SOB O SOL DAS FALSAS-MAGRAS
a teus pés, toda hora, todo devoto que se preze, pezinhos 36, 37, 38, conforme confiro aqui gravado em lito no cimento fresco, conforme machucado no meu peito quando pisavas com raiva e desejo, “seu coiso, seu merda, não vês que te quero”, começo a beijar pelo solo pátrio, nem que o chão esteja quente como no Crato, como em Teresina, onde o papa João Paulo II foi fazer aquela graça e queimou a língua, donzela bela que inspira a lira, a loa e a larica,meu docinho de coco aliterado no último, meu quebra-queixo, minha tapioca com nata, minha carne de sol dormida no leite, minha manteiga de garrafa, minha nega,contigo me derreto como no nosso último tango com Elvis na Augusta, don’t be cruel... don´t be cruel a heart that’s true, minha índia, minha cabocla, minha prova dos nove, minha canibalzinha mameluca, comedora de homens na brasa, fome de viver da gota, ô minha minha morena, minha falsa loira, ô minha creaaança, ô minha maloqueira, ô minha qualquer-coisa-linda-da-porra, é chegada a hora, de devotar-me mais uma vez, com súplicas, rezas, ladainhas, benditos e antigas elegias de Jorge Bem –Jesualda desceu o morro!_, o veraneio dos pezinhos, vem, eles já desfilam por aí, no mais legítimo gozo do direito safado de ir e vir, constitucionalissimamente, como Bebetes,lindas sandálias para desenhar calçadas, o baile todo, subúrbio soul, só as certinhas, só as cachorras, as Lucianas, as Domingas, as Barbarelas, todas as musas,flores do bairro, sarro na relva, no Parque 13 de Maio, Jardim Botânico, Ibirapuera, rolinhos primavera, suburbanos corações de domingo, sempre de shortinhos, para enlouquecer parentes e vizinhos, sempre lavando o carro indecentemente na frente da casa, que polimento, e a cunhada, céus, não provoca, a classe operária vai ao paraíso, e a priminha, como cresceu, Zeus, outro dia batia aqui em mim, na altura braguilha, olha só como cresceu a criatura, mira o peitinho, mira, me gusta, umbiguinho de fora, ai que calor, que saboneteira, opa, a tia grita: almoço na mesa, vem comer Juju se não tu vira modelo e morre que é uma beleza, “ô mãe, vira pra lá essa língua”, “vê se pode tio, pega aqui,vê como tô cheinha”... e me mata sob aquele sol falso-magro debaixo de um nada cerimonioso banho de mangueira!
Escrito por xico sá às 18h21
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