O AMOR É FODIDO
“As mulheres são todas diferentes. Quando se perde um homem, há outro igual ao virar da esquina. Quando se perde uma mulher, é uma vida”. Desde o dia em que cai aos seus pés não sabia se estava a ganhá-la ou perde-la. O AMOR É FODIDO, do amigo ultramarinho Miguel Esteves Cardoso, me ensina coisas. Ao contrário das pulgas sado-camonianas, este gajo, certa noite das antigas, na cidade de São Paulo, boate Love Story, dizia que as lágrimas das raparigas são coquetéis sem álcool. Dizer “não chores” funciona sempre, porque só mencionar o verbo “chorar” emociona-as e liberta-as, dando-lhes carta branca para chorar ainda mais. As raparigas, depois de chorar, soprou-me o gajo, lirismo-Morrisey, ficam com vontade de fazer amor.
*Do livro "Se um cão vadio aos pés de uma mulher-abismo", de edição limitadíssima, apenas 300 exemplares numerados, ed.fina flor. Se você achou que vale alguma coisa, pode ler mais da mesma raridade (hahahahaha) aqui no blog do bispo.
Escrito por xico sá às 23h23
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A MULHER QUE VEM E VAI COM A MARÉ
A mulher que cheirava a maré esperava na janela linda vestida de brisa e vivendo de. Aquela boca iracemosos lábios gostosos uma vida toda glam & gloss. Botas de boxeur e Valentina tatuada nas costas. Pernas longas de quem pedala na bicicleta dos meus óculos verdes gigantes hiperbólicos. O Capibaribe se juntava ao Beberibe para formar o Atlântico sem choro nem despedidas nos seus olhos. O cheiro de bolacha sete-capas atravessava os rios e molhava-se nas nossas xícaras derretidas no café da fome de viver e outras merendas vespertinas. O ritmo da foda era o compasso das águas que vazavam dos rios para o oceano e vice-versa. Quando a maré encheu eu me perdi como uma agulha que cose descuidada e perde-se entre o vestido e a pele e percorre as veias responsáveis pelo sangue da dor de existir. Era um filme entorpecido sobre os segredos do amor. Mas quando voltei para mim reparei que, de tanto carinho que fiz no seu rosto, nas suas costas, de tanto scratch na sua bundinha, de tanto carinho, como num bolero de desespero, de tanto carinho perdi o desenho das mãos, as impressões digitais, o rumo, a linha da vida, me diz aqui uma bela ciganita.
Escrito por xico sá às 14h31
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