JAZZ-GRANIZO SOBRE O TETO QUENTE DO FUTURO
sim, minha menina, pode tirar a calcinha, meu amor, eu disse, ela implorava, pois o costume e o combinado era não tirar quase nunca, o caminho era pelos cantinhos, os aceiros, os cantinhos da existência, os acostamentos das dores do mundo & seus derredores posssíveis, explorá-los todos, cada beiradinha de vida, como numa floresta, as pocinhas d´água e desejo e ainda o suor que caía como chuva guardada na copa das árvores dos seus cabelos, como aqueles pingos da chuva mesmo que ficam guardados nas folhas das folhas da relva, chove, meu amor, derrama tudo dos guardados, das nuvens escuras dos nuestros obscurantismos, tira a calcinha como quem tira o juízo, como quem deixa o passado guardado com o chapeleiro de alice e viaja no reino do vai-sem-volta como aquelas noites em que eu roubava flores para usted no mais vagabundo quiosque e fodíamos sem cabeças a atrapalhar nuestras bidas... cabeças demais só atrapalham nuestras belas phodas... não temos cobertores para tantos pensamentos... tira a calcinha, amor, mas somente esta noche, eu deixo, hoje tudo pode, juro, escuta, tira, me beija enquanto os céus batucam jazz-granizo sobre o teto quente do futuro.
Escrito por xico sá às 01h13
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