o carapuceiro



MEUS LIVROS, MEUS DISCOS E NADA MAIS

...as mudanças de casas e cidades, além das separações, óbvio, nos levam discos e livros e isso é lindo, de alguma forma ficamos lá sob agulhas que nos tocam como boleros e sob os olhos da ex que nos lerá nas suas entrelinhas e nos sulcos melancólicos dda carnaúba dos vinis; os amigos não nos devolvem nossos livros, e isso é melhor ainda, pois  os amigos são para toda a vida, os amigos podem levar nossa estante inteira, é bom que os livros andem, passeiem, se desmanchem, copulem com outros volumes, sintam o gozo masoquista com outras traças desconhecidas; igualmente lindo é quando reencontramos esses coisos que já passaram pelos nossos sentidos e olhos; parecem mulheres ou grandes amigos que não vemos há tempos, que bom, vem cá, me dá um beijo, como vai você, a vida tem lhe tratado bem, eu preciso saber, tudo está deserto ou tudo certo como dois e dois são cinco?

 

numa visita que fiz agora aos subterrâneos de babélia, tive um alumbramento desses atrás do outro; logo de cara dei com “Prosa do Observatório”, Cortázar, e dele mesmo, mais adiante, amassei, como quem amassa uma antiga namorada, “Orientação dos Gatos”... E haja aqueles livrinhos da coleção “Cantadas Literárias”, "Feliz ano velho", sempre de novo, grande Paiva... e sabe “Porcos com Asas”, aquela delícia de putaria e política italiana? Da mesma Brasiliense, que nos alumbrou tanto nos 80, catei com gosto “Mulheres”, do velho Bukovski, os encantos radicais encomendados a Leminski (Cruz & Souza, Trotsky, Bashô e, aleluia, até Jesus!), enquanto isso na prateleira acima “Luna Caliente”, do Mempo Giardinelli, da Olho da Rua/LPM, já dançava nas minhas lentes clorofiladas.. eu tinha a Brasiliense inteira em casa, ainda no Hellcife, depois de ganhar -milagres acontecem!- um concurso de hai-kais da revistinha Primeiros Toques, vibrante órgão de divulgação da brava editora de Caio Graco.

 

que lindo estrago, um gozo atrás do outro, paudurescência livresca da porra, e nessa pisada, “Os Subterrâneos” do caminhante Kerouac, Boris Vian vem simbora, Lobo Antunes!, que classe, “Lua na Sarjeta”, vixe, “Patuléia”, afe!, e até Tchinguiz Aitmátov, com sua “a mais bela história de amor do mundo” _Louis Aragon foi quem disse. “A Ilha no Espaço” de Osman Lins, O Buda de Borges e Cesário Verde aos montes de lágrimas de absinto... Carpentier, seu moço, como aeróbica para a minha pobre mente barroca viciada em palavras bêbadas que mordem o próprio rabo... trouxe tudo para casa de novo e as suas páginas & traças guardam o cheiro de outras separações, mudanças, liseus econômicos que nos obrigam torrá-los nos sebos... e o melhor de tudo: frases marcadas que denunciam o espírito do leitor/leitora e a chegada da primavera para os Bandinis da vida.

 

[Selviço: os subterrâneos de babélia, ou Galeria dos Livros, é o sebo que fica ali naquela passagem da Consolação, altura da Paulista, sampaulândia, sob os cuidados de Silas e Adriano, cabras do ramo! ]



Escrito por xico sá às 21h37
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VOCÊ NÃO É CACHORRO NÃO, MAS EU SOU WALDICK SIM, COM MUITO ORGULHO

Morreu, digo, partiu desta para uma melhor, o cantor e compositor Waldick Soriano, o nosso Johnny Cash baiano, como diz o escriba e amigo Zé Teles. A imagem que fica é o seu chapéu preto voando em uma noite fria de São Paulo, mas precisamente na porta do cabaré do viejo Charles Bronson, ali na rua Avanhandava. Foi a última vez que estive com o ídolo, finalzinho do ano passado. Inesquecível a conversa molhada por duplos uiscões inspiradores. Nós, cuja educação sentimental, aí incluindo os bons pares de chifres, devemos a WS, o homenageamos com esta crônica que segue, e que a terra e todas as dores de amores lhe s sejam leves... No cinquentário da bossa-nova, sinto muito pelos bons modos jazzisticos que tanto agradaram a classe média do sr. João Gilberto, mas ninguém me disse mais coisas do que esse homem que cantava Dostoievski para as putas e para as nossas mães ao mesmo tempo:

 

“Hoje que a noite está calma/ E que minha alma esperava por ti/Apareceste afinal/ Torturando este ser que te adora...”

 

Cuba libre e uma canção de Waldick Soriano, quem há de resistir?

 

Quem há de se meter a bacana e não deixar irromper das profundas e sinceras cacimbas d´alma a cafonice de nascença? Brega não, cafona sim, hoje e siempre.

 

Lembro minha mãe Maria Socorro e a prima Maria Ivone, nuestra amada e bolerística Marivone, o buriti-mor da generosidade do Crato e arredores, ouvindo Waldick e Nelson –“Fica comigo esta noite/que não te arrependerás/ lá fora o frio é um açoite...”

 

E o primeiro porre? Sullivan, Adailton, Garrincha...O elenco. O meu foi no Caldas, Barbalha, também nas áreas dos Kariris, antes mesmo de conhecer os escribas Wilson Vieira e Josélio Aráujo, amigos do ramo e daquela terra, barcos que navegam com a verve da cachaça e do lirismo -de que mais pode ser feito um homem de verdade a não ser com  essas duas argamassas?

 

Sem essa de brega-cult, modinha de machos & fêmeas, imperava a cafonália mesmo,e a trilha sonora do primeiro porre não poderia ser mais bela: Bartô Galeno,claro. “No toca-fita do meu carro, uma canção me fez lembrar você

 

Mas voltemos a Waldick, toque outra vez meu amigo,  talvez não haja canção mais bela, sim, do que “Tortura de Amor”, aquela cujos versos enfeitam a cumeeira desse texto,e que prossegue, mais ou menos assim: “Volta, fica comigo só mais uma noite/Quero viver junto a ti/Volta, meu amor/Fica comigo, não me despreza/A noite é nossa e o meu amor pertence a ti”.

 

Chora, Evaldo Costa, lembra do tempo em que nos consolávamos com a radiola do Robertão 70, clássico do romantismo dos derredores do Parque 13 de Maio, no glorioso Recife? Pelo que sabemos, eis que o destino levou Robertão, e não por morte morrida, por morte matada, um covarde faca que arranca as tripas de um homem como o neo-realismo vira o sol das existências. Robertão,sósia do rei, era mesmo um greco-pernambucano, a tragédia dormia debaixo dos caracóis dos seus cabelos.

 

Toca outra vez, Waldick: “Hoje eu quero paz,/Quero ternura em nossa vida/Quero viver, por toda vida,/ pensando em ti”.

 

Falar no homem, essa mesma “Tortura de amor”, com o grupo português Clã, é uma coisa d´além mar. Pense numa dor-de-corno com acento de fado e melancolia à moda do Porto! A homenagem a Waldick está no cd “Eu não sou cachorro, mesmo”, da Allegro Discos, a mesma gravadora que havia feito um tributo a Odair, esse outro monstro do chifre. Além da mocinha do Clã se derramando de amor & dor, tem China e Lula Queiroga cantando Marcio Greyck, que eu vou te contar, uma coisa de cinema, uns curiós, uns pitiguaris, umas patativas, uns sabiás...

 

Toca outra vez, Waldick, desce mais uma, Robertão 70, e que vocês se entendam por ai... Daqui do planeta azul, platonicamente hablando e tirando onda de sofista em tubarônicas bocarras, pago la dolorosa... Depois de todas as saideiras a gente se reencontra. Beijos.



Escrito por xico sá às 07h10
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SE VOCÊ PENSA QUE VAI FAZER DE MIM...

 

Por ti chorei lágrimas de rodoviária, lágrimas com poeira de estrada perdida, lágrimas e poeira que viraram maquiagem de lama, tijolos d´alma, emendei lotações e fronteiras, gastei botas, máscaras, joelhos... e contei passos de crimes & castigos, por ti esperei em hotéis baratos do centro, porta aberta, mão no pau e faca no peito, por ti bebi como uma mosca caricata de boteco, cheirei, fumei, apaguei, fiz lirismos chinfrins em guardanapos, sempre começando assim “por ti” etc e algum verbo que representasse um esforço de hércules ou o mais puro exibicionismo de uma dor tão gasta que nem já combinava mais com os meus drinques caubói nem muito menos com as minhas elegantes vestes rotas da mendicância, ah, o seu orgulho não vale uma canção triste de Roberto ou Lupicínio.



Escrito por xico sá às 21h34
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NÃO HÁ GUARDA-CHUVAS CONTRA O AMOR

 

sim, pode tirar a calcinha, meu amor, eu disse, ela implorava, pois o costume e o combinado é não tirar quase nunca, o caminho é pelos cantinhos, os aceiros, os cantinhos da existência, as beiradas d´alma, os riachos entre a carne e o osso, explorá-los todos, cada beiradinha de vida, como numa floresta, as pocinhas d´água e desejo e ainda o suor que cai como chuva guardada na copa das árvores dos seus cabelos, como aqueles pingos da chuva mesmo que ficam guardados nas folhas das folhas da relva e viram uma chuva depois da tempestade, chove, meu amor, derrama tudo dos guardados, das nuvens escuras dos nuestros obscurantismos, tira a calcinha como quem tira o juízo, como quem deixa o passado guardado com o chapeleiro de Alice e viaja no reino do vai-sem-volta do ácido possivel.



Escrito por xico sá às 14h33
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A PIXAÇÃO 2008 É MAIS IMPORTANTE DO QUE A SEMANA DE 22

Sim, a grande e única ARTE de SP de todos os tempos, digo de invenção, exclusividade no mundo, falando simplesmente, assim sem a xaropice uspiana e o O ENGODO DE 1922(dá-lhe gilberto freire!), digo mais, A ÚNICA do que o mundo se orgulha e copia e mira a Saopaulândia, noves fora a diluição futurista e todas as xeroxs de 1922, repito, ai incluindo os Oswalds, as Tarsilas, gênios, pero lindos diluidores de retrôs das Oropas Franças y barroquismo baianos que nunca tiveram importância... PENA!

 

, digo, PIXO, repito, a única ARTE À VERA,  de SAN PABLO, o que faria o próprio OSWALD, reconhecedor de talentos primaveris, saldar a rapaziada guerreira, A ÚNICA aqui inventada, ele que sabia que o GÊNIO é uma grande besteira...

 

...reconheceria agora mesmo, embora a molecada desobediente nem mesmo dele e/ou do cânone careça. Difícil para os pré-quinhentões aceitarem, mas a ÚNICA grande arte universal dos paulistanos não saiu dos bandeirantes bem-educados, saiu da desobediência mestiça formada pelo Brasil DE FORA que aqui habita e pixa... normalmente os mesmos que grafitam para ganhar a vida – donde a burguesia definiu e todo mundo aceitou que GRAFITE é arte, pixação é crime... DEMORô!, QUE PREGUIÇA, diria um MACUNAEMO que chora o leite maquiado.

 

A grande arte de SP é a arte do PIXO, depois devidamente diluído também nos grafites, aceitos pelas galerias do  mundo inteiro... aceitos pelas colunas sociais e pelas ONGs picaretas... Se fosse um de nós fodidos também arrancaríamos um TROCO, por supuesto, fodam-se, porém apagados pela força política e policial de São Paulo como exemplo de assepsia burguesa da paisagem-kassab, que apaga também Bovarys avulsas na era do fim do casamento e constrói rampas antimendigos... O PIXO falando para o MUNDO, eis a grande arte apagada da Sampaulândia, os novos gutenbergs e suas prensas no alto dos edifícios, os novos tipos, as novas letras, O FUTURO, a invenção possível além muito além da invenção do tédio do delegado e do ENQUADRO.  

 

O que poderia ser orgulho no universo... em SP É CRIME! OS resistentes pixadores de 2008 são a SEMANA DE 22 que a cidade mais mimetista do planeta copiou da Europa e nunca a Europa tomou conhecimento como agora sabe dos meninos que reinventaram a prensa de Gutenberg e de todos as bauhaus do mundo nos altos das caixas d´águas dos prédios que refrescam a burguesia apodrecida com a única e autêntica arte para valer de SÃO PAULO: a arte do PIXO!



Escrito por xico sá às 05h18
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JORNALISMO-VERDADE & AMOR DE FICÇÃO

“Vejo aqui na linha do coração um amor mal-resolvido”, soprou este mago que vasculha a vossa sorte. A mocinha, uma deusa balconista ali dos arredores da Praça Patriarca, aqui em Sampaulândia, assanhou as sobrancelhas. “Ele vai voltar pra mim?”, avexou-se em saber. “O infeliz te ama muito, mas é cheio de dúvidas e nove-horas”, tergiverso, na moral, enquanto afago, carinho esotérico com fundo levemente erótico, a mão direita _uma mão espadulada, conforme meus conhecimentos prévios de quiromancia.

A minha primeira consulente, na tenda improvisada no viaduto do Chá, sai comovida, esperançosa. Falar em amor mal-resolvido é golpe certeiro para qualquer alma penada desse mundo, meu amigo Wandeck Santiago que o diga, ele mesmo um grande leitor das linhas da vida das meninas da insigne e imponente Universidade Católica de Pernambuco.

A consulta gratuita, dumping na concorrência cigana e baiana, atrai os passantes. De graça, nego entra na fila até para ouvir previsão macabra e tomar injeção na testa. Meu semblante e estilo, um mix de Paulo Coelho com Mãe Diná, emprestam credibilidade e fazem crescer a procura.

O segundo foi chegando como quem chega do bar. Está borratcho mesmo. Ótimo. Nada mais fácil do que prevê o futuro de um ébrio. “Todo mundo crê em alguma coisa, eu, por exemplo, creio que vou tomar um uísque”, recepciono a criatura, ajambrando um boutade de Grouxo Marx.  “Me leva com vossa pessoa, então”, soluça o rapaz, fino, bom-humor. Com uma alma bêbada, melhor aplicar as cartas. Ele saca mais rápido e vai logo traçando o baralho, como se fóssemos disputar uma partida. Começa a dar trabalho. Decido então o seu destino: dou-lhe umas moedas para tomar uma cerveja. Ele arreda, feliz.

Próximo. Outra rapariga em flor. Mão cônica, lembro do almanaque de quiromancia outra vez. Lindos dedos. Passeio na linha da sua vida suavemente. Agora a esquerda, para ler o passado. A direita de novo. Silêncio total. Ela apreensiva. Pânico em SP. O medo da mocinha diante do mago. “Você quer mesmo que eu diga tudo que li aqui, passado, presente, futuro?” Titubeia. “Será, meu Deus!?”, diz. “Está nas suas mãos”, amplifico o mistério, com voz de Zé do Caixão. “É muita desgraça assim?” , treme. “Nada mais nada menos do que a sua vida, meu amor”, amacio. “Me solta, melhor ir embora”, ela tira a mão, que eu ainda acariciava esotericamente, e se manda.

As ciganas ao lado, lindas nas suas saias multicoloridas com uns cortes à Yves Saint Laurent, miram a minha banca de mercadorias e futuros. “Esse charlatão vai ter o destino que merece”, parecem balbuciar. Uma delas, no entanto, Carmem de Itapevi, olhos-flamencos e danados, foi com a minha cara. “Vou te ensinar como se lê uma mão de verdade”, disse, rindo do meu lesado jeito. Decifrou num instante a minha sina amores perros. “Você sabia que está muito próximo de encontrar a mulher da tua vida?”, fez suspense. “Acabo de encontrar”, blefo. “Não brinque com o destino”, ela atalha. “Verdade”, insisti. “É uma moça que tu já conheces, com quem se reencontrou de surpresa no ano passado”, conta. Lembro da dionisíaca que quase me mata em uma cumeeira na Bela Vista, ali em cima  d´”Os Sertões” de Zé Celso.  “Vocês temeram esse romance como o diabo corre da cruz. Seria um amor louco, cigano, forte, livre, perigoso”, avista na linha esticada de mi corazón.

Enquanto lembro daquela linda noite lá no alto, quando esfaqueei nuvens e engoli cachaça com estrelas, outra Sandra Rosa Madalena chega e se oferece para ler mais uma vez a minha mão. Elas cobra, em média, R$ 10 por cliente. Satisfeito, preferi continuar a minha estréia de mago de calçada, agora sob o olhar desconfiado de um pai-de-santo.

Mais duas consulentes e o mesmo mote dos amores mal-resolvidos, o enredo-mor de todos os corações. O bêbado também volta. Eu estava enfeitiçado pelos olhos da cigana. Ela fuge das amigas e aceita almoçar comigo ali no Guanabara, bem na fonte do Anhangabaú. Vou ao banheiro. Ela desapareceu misteriosamente. Creio que vou tomar mais um sem gelo. O destino é mesmo seco e impiedoso como um uísque cowboy.  



Escrito por xico sá às 21h09
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MERCADORIA DE PRIMEIRA

Sabe o homem da cobra? Aquele das feiras e portas de mercados municipais, que gasta uma babel inteira de palavras e assombros para vender uma pomadinha de nada?

Se ganhasse por vocábulos metralhados por segundo, amigo, estava mais rico de que os editores do Houaiss, do Caldas Aulete e do Aurélio juntos.

Se bem que a tal milagrosa banha merece mesmo tal gasto palavroso, é remate de todos os males do universo, de espinhela quebrada a solitária tênia, o diabo, reumatismo, desengano, nó nas tripas, cabrunco, íngua, aleijo, dor-d´olhos, gasturas, bucho quebrado, juízo agoniado, curuba, crista de galo, soluço de mais de mês, lunduns de fêmea, chifres de macho e todas as reimosidades do planeta.

Mais suspense do que todos os festins de Alfred Hitchcock pra vender a sua misteriosa “meizinha” que resolve de um tudo. O segredo está na mala. A cobra perigosíssima, um réptil do demo, sai de perto, menino, é agora, escapole miserável!

Pois não é que o cidadão João Paes de Lira, o Lirinha do Cordel do Fogo Encantado, menino novo de Arcoverde -emplacamento 1976-, pegou um tanto da prosódia do homem da cobra, juntou com outro monte de bagaceira mitológica, botou uma resina de aroeira, visgo divino e passarinheiro, a zoada de todas as vozes da feira... e saiu-se com o espetáculo mais bonito desse mundo globalizado e sem porteira!

Chama-se “Mercadorias e futuro”, donde Lirovsky, um rapaz das brenhas da Interlândia, escreve sobre o teto do vão do infinito e as pilastras desse salão que interferem na dança. Acha pouco? Então tome, desalmado: “Também sobre a visão que a platéia tem da big band dentro da casa labiríntica”.

É uma boniteza com toda a sustança das coisas universais das aldeiazinhas que dormem nas nossas cabeças para sempre e acordam sob o fogo cruzado dos piolhos da consciência dormida de tresantontem. É como se o homem da cobra fosse um Fausto vendedor de almas vivas ou mortas. É como tirar uma botija na noite medonha, naquele sertãozão que arrasta o couro do réptil  de todas as esperas, como um tatu roliço no tonel da engorda, como a própria cachaça que prescreve o sonho e a queda.

Vi no teatro, aqui em São Paulo, peça que vai correr veredas e rincões, Teresinas de Torquato Netos, Hellcifes, Minas e Nossas Senhoras de tantas Assunções...

É Lirovsky  solando ao infinito, engenhocas barulhentas, luminosos e letreiros dizendo também coisas lindas, como essa oferta, mira no exemplo do cabra, hipnotizante e simples criatura: “VENDO A LUZ DO CÉU, QUEM QUER COMPRAR?”

O que está à venda, amigo, na tabuleta misteriosa, é o futuro, a poesia dos profetas que o nosso antiherói caçou ao longo da vida, coletou e agora tem mesmo é que botar para frente, para adiante, negociar o trabalho, os dias, a natureza. Três grandes adivinhadores delirantes nos guiam nessa história: João Pedra Maior, Teresa Purpurina e Benedito Heráclito.

O homem da cobra, da cobra que come o próprio rabo, dá um nó místico para reiventar o  fetiche da mercadoria de Karl Marx, porque a vida é mais complicada mesmo,  Lirovsky, é um feitiço dos seiscentos diabos, graças a Deus.

E pra quem não agüenta esperar o espetáculo na sua aldeia, eu recomendo “Mercadorias e futuro” (Ateliê Editorial), em todas as boas casas do ramo, o livro, tão melhor quanto a peça, digo, a mesma coisa, mas são também diferentes, uns siameses, sabe de uma coisa: eu não digo é mais nada, comovido me despeço, atenciosamente, seu Francisco, um cronista fuleiro às ordens das boas novidades dessa mundão sem juízo.



Escrito por xico sá às 14h45
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