A GENTE SE VÊ - RETROSPECTIVA A PEDIDOS I
Em uma megalópole como São Paulo e outras tantas grandes cidades brasileiras, haja encontros e desencontros, minha estimada Sophia Coppola. Alguns não tão graves, acontece, outros infinitamente dolorosos, que nos perturbam os sentidos, que fazem a gente maldizer os céus, os astros, o destino. Fica tudo na base do “a gente se vê”... E adeus! Não que fosse acontecer um casamento ou algo do gênero a partir daquele encontro, nada disso, mas foram encontros bonitos, fortes, que se acabam ali mesmo, na poeira cósmica, numa tarde fria, em um café da manhã, numa simples despedida. “A gente se vê.” Pronto, eis a senha para o terror, o “never more”, o nunca mais do corvo do escriba Edgar A. Poe. A gente se vê. Corta para uma multidão no viaduto do Chá. A gente se vê. Corta para uma saída de estádio lotado em dia de decisão do campeonato. A gente se vê. Corta para “onde está Wally”. Nada mais detestável de ouvir do que essa maldita frase. Logo depois a porta bate e nem por milagre. Jovens mancebos, evitem essa sentença mais sem graça. Raparigas em flor, esqueçam, esqueçam. Melhor dizer logo que vai comprar cigarro, o velho king size filtro do abandono. Melhor dizer que vai pra nunca mais. Melhor o silêncio, o telefone na caixa postal, o telefone desligado, o desprezo propriamente dito, o desprezo on the rock´s. A gente se vê um carajo. Seja homem, troque de palavras, use o código do bom-tom e da decência. A gente se vê é a mãe, ora, ora. Como canta o Rei, use a inteligência uma vez só, quantos idiotas vivem só... Esse “a gente se vê” deveria ser proibido por lei. Constar nos artigos constitucionais, ser crime inafiançável no Código Penal. A gente se vê é pior do que a gente se esbarra por ai. Pior do que deixar ao acaso, que jamais abolirá a saudade, que vira uma questão de azar e sorte. Melhor dizer logo “foi bom, meu bem, mas não te quero mais”. YO NO TE QUIERO MAS, como na camiseta mexicana que ganhei de una hermosa chica. Dizer foi bom meu bem e pronto, ficamos por aqui, assim é a vida, sempre mais para curta do que longa-metragem. A gente se vê é a bobeira-mor dos tempos do amor líquido e do sexo sem compromisso. A gente se vê é a mãe, aquela vaca, ora! Seja homem, seja mulher, diga na lata. Não engane a moça, que a moça é fino trato, que não merece desdém. A fila anda para os dois, jogue limpo. A gente se vê. Corta para uma multidão no show do ACDC no Morumbi. A gente se vê. A gente se vê. Corta para a multidão no 1o de Maio no Campo de Marte. A gente se vê. Corta para o formigueiro do Maracanã no Flamengo x Grêmio. A gente se vê. Corta para a São João com a Ipiranga. A gente se vê. Corta para um engarrafamento gigante na marginal do Tietê... A gente se vê. Então aproveita e vai olhar se eu estou na esquina, com teu coração de gelo-baiano de uma figa!
Escrito por xico sá às 23h49
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