TEMPO DE HOMENS FROUXOS
Generosos leitores, deixo esta crônica de despedida de 2009, aqui desligo os transmissores e agradeço a todos pelas visitas. Vou buscar novas forças no Cariri de onde eu vim e nos mares donde passei. Em 2010 este blog será finalmente menos arcaico e deve migrar de portal etc. Buenas fiestas e entradas fuedas. Inté dias finais de janeiro. Fiquem com os deuses que dançam!
Agora sim, com ou sem carapuças, la croniqueta TEMPO DE HOMENS FROUXOS: A prosa nada cabulosa da nossa távola redonda salta de mesa em mesa, entre cavalheiros e damas, naquela madruga na taberna: “Pois saibam todos vocês, a teoria da moça ao lado está mais certa que boca de padre e mais justa do que boca de bode”, emenda Ailton, o garçom pernambucano, de prima, sem deixar a peteca fazer gracinha pelos ares. “Antes mesmo um bom canalha, com pegada, do que um macho frouxo e vacilão”, exalta Carol, amplifica Maíra, declama Guta, acentua Luciana, amacia Beth e Clarice gagareja com sua caipirinha de frutas vermelhas. Era a tese da hora, porque bebedeira só é boa mesmo com uma tese de costumes para a gente beliscar noite adentro. Sem deixar um farelo de dúvidas sobre a mesa de acepipes, bar Filial, madrugada de São Paulo, as meninas, agora em coro, decretam: “Paz na terra aos canalhas de boa vontade, eles merecem nosso crédito!” No que o Coppola, o amigo calabrês sempre vestido de nuvens azuis em corte de camiseta pólo, manda o seu mr. Sinatra antes que os sabiás das quatro da matina se manifestem: “Fly me to the moon Let me sing among those stars…”, canta, como sempre, depois do décimo chope. As gazelas vão à lua e retornam divas mais radicais ainda para a saideira clássica sob a paisagem de cadeiras levantadas e água com sabão nos pés. “Antes um bom canalha de ressaca do que um saudável bom moço perfumado com a boca sempre cheirando a antisséptico”, Guta vai mais longe ainda. A tese ganha versões, puxadinhos semânticos, penduricalhos, novas frases refeitas: “Mais vale um cafa na mão do que dois playboys vacilões”. “Nesses tempos de homens frouxos, quando não se pede mais ninguém em namoro, a canalhice é o nosso parque de diversões”, Lu ataca novamente. A tese se torna tão valiosa, uma obra aberta, que alguém anota em guadanapos, como se fosse a ata da bebedeira. Fica como “pindura” para a próxima farra. “Mais vale um Paulo César Peréio na mão do que dois Tony Ramos com depilação definitiva”, manda uma ex-feia que acaba de se consagrar musa-mor da madruga. Àquela altura não há mais ninguém feio no mundo. Nem mesmo um mal-diagramado pela natureza como este cronista, que aprendeu, com o seu ídolo Sérge Gainsbourg, que a beleza é passageira e a feiura é para sempre. Eis o nosso mantra eterno, amém.
Escrito por xico sá às 16h02
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