ATÉ QUE A COPA NOS SEPARE*
Todo ano de Copa do Mundo, reaparece o mesmo manual, com algumas pequenas modificações, sobre o comportamento ideal das mulheres durante o massacre esportivo que dura um mês nas nossas pobres vidas. Não se sabe mais quem seja o porco-chauvinista gozador que escreveu originalmente as regras, mas discordo totalmente. Creio no torneiozinho mundial como uma grande farra, aquele período em que mais aliamos o nosso gosto por futebol com a nossa devoção às moças. O breviário do macho copeiro começa falando da posse 100% do controle remoto, recomenda que as esposas leiam cadernos de esportes se quiserem conversar o mínimo com os maridos e ordena: “Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair.” E por ai seguem os mandamentos mais canalhas, como o quinto, por exemplo, que nos soa bem gay, aliás: “É uma boa idéia manter pelo menos duas caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e petiscos. E, por favor, não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você estará autorizada a assistir TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.” Esse negócio de encher a casa de homem e esquecer a cria da sua costela, sei não, meu caro, estou fora. Como aprecio mesmo é futebol de time, incluindo os campeonatos mais chinfrins, vejo na Copa uma chance rara de fazer a festa com o mulherio. É o que acaba ocorrendo mesmo, na maioria dos lares e botecos, pois cresce o interesse delas pelas ditas artes ludopédicas. Sem essa de Pátria em chuteiras, como cravou o gênio do Nelson Rodrigues. A festa da Copa é a boa hora de nos deliciar com a Pátria em shortinhos verde e amarelos, em miniblusas com lacinhos e outras belas fantasias que a ocasião nos proporciona. Repare só neste outro ponto do supracitado manual dedicado às mulheres: “Não incomode a mim ou aos meus amigos perguntando sobre as regras do futebol. Olhe o jogo e finja que está entendendo. Pule e grite quando eu pular e gritar. Nunca, jamais pergunte como funciona a regra do impedimento. Você não vai entender.” No que eu aconselho as damas: deixa o desgraçado em paz com os amigos, ui, ui, numa boa, numa nice, e sai com as amigas para o bar mais próximo. Sempre terá um vagabundo na área mais interessado no seu visual do que no telão canarinho. O décimo mandamento machista é um primor: “Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque: a) Eu não vou; b) Eu não vou, e c) Eu não vou.” Como diria o velho Costinha, com a sua imoral bocarra, “noooooossa”, virgem, santa, essa batida de pezinho “não vou, não vou, não vou” é inconscientemente reveladora. Tô fora! *texto da minha coluna de hoje (19/05) no Correio da Bahia
Escrito por xico sá às 18h32
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Escrito por xico sá às 18h44
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